Twitter Facebook

Siga Cândido Nóbrega

11 OUT
14h52

Sistema prisional tem efeito sintomático na delação de ex-ministro


Há quem acuse o nosso sistema prisional anacrônico pela existência de um hiato abissal entre a realidade e o que é preconizado na legislação atinente. Tal imputação procede. É insofismável. O sistema penitenciário brasileiro já deixou o banco dos réus e, agora, curte sua pena. Que pena ! Mas, há quem se desvie do eixo do descalabro e não se matricula nas universidades do crime instaladas nas penitencias, por já serem doutores em tais matérias. 
O homem forte do PT e ex-ministro da Fazenda ruiu, mas não quer "cair" sozinho e gentilmente estendeu à mão ao ex-presidente Lula e a outros petistas. Ao apresentar seu pedido de desfiliação por meio de uma carta, Antônio Palocci insta que Lula tenha um surto de caráter e renove compromisso germinal do partido. “Há alguns meses decidi colaborar com a Justiça, por acreditar ser este o caminho mais correto a seguir. (...) Falar a verdade é o melhor caminho. (...) Defendo o mesmo caminho para o PT”, afirmou o ex-petista.
A desfiliação, prontamente acatada pela presidente do PT, possivelmente é mais um ato do "efeito dominó", subsequente ao acordo de delação premiada, mas que se originou, não podemos olvidar, com a prisão. Difícil imaginar que Palocci postar-se-ia da mesma forma se estivesse em liberdade. Possivelmente estaria negando as imputações criminais até hoje.
Ironicamente, por mais combalida que seja a crença nas instituições da república tupiniquim, ainda prevalece a assertiva de Foucault de que a certeza de ser punido é a que deve desviar o homem do crime. 
 Contudo, essa certeza se torna mais distante sobretudo quando os criminosos são aqueles que legislam ou julgam em causa própria, ou simplesmente são detentores do poder.
Um dos princípios basilares do Direito Penitenciário é o da ressocialização. O essencial, segundo o mencionado filósofo francês, é a busca pela correção, reeducar, curar. No Brasil, este escopo é remotamente alcançado, ostentando os sistema penitenciário o estigma de falido.
Mergulhado no ostracismo político eleitoral e destaque nas páginas criminais, longe dos eflúvios do poder, esquecido pelos camaradas petistas e ainda dentro do xilindró, Palocci, um dos mais resilientes personagens da operação lava jato, teve tempo suficiente para refletir sobre a perda do bem mais precioso do ser humano, a liberdade. 
Por incrível que pareça, diferente de muitos apenados, para quem ocorre apenas uma mudança de endereço, ao olhar o horizonte quadriculado, o ex-ministro da Fazenda sucumbiu, embasando a visão foucaultiana de que a execução da pena é uma vergonha suplementar.

Postado às 14h, por Alfredo Miranda


Seu comentário agora é social. Você precisa estar conectado no Facebook para postar seus comentários.

"Este blog não se responsabiliza pelas opiniões emitidas neste espaço pelos leitores e destacamos que os IPs de origem dos comentários ficam disponíveis para eventuais demandas jurídicas ou policiais".