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04 JAN
19h54

Ex-presidente do Porto de Cabedelo diz que não ofendeu Dilma e que a Paraíba não tem indústria forte


Ex-presidente do Porto de Cabedelo diz que não ofendeu Dilma e que a Paraíba não tem indústria forte
O executivo Wilbur Holmes Jácome é o que podemos chamar de uma figura multidisciplinar. Formado em Jornalismo, mestre em marketing e especialista em vendas, coaching e logística, ele vem atuando nos últimos 10 anos na área de comércio exterior.
Em 2007, foi à China para desenvolver produtos de marca própria para a antiga Lojas Maia, uma das maiores redes de varejo do Brasil. Daí nascia a carreira de trader (negociador em inglês). Com escritórios na Ásia (China) e na Europa (Portugal), ele tem ajudado a encontrar fornecedores para fábricas e distribuidoras no país.
Apesar da larga experiência no ambiente privado, ele presidiu a Companhia Docas da Paraíba por um período de quatro anos e atuou como Secretário Executivo de Desenvolvimento Econômico durante a metade do segundo mandato do Governador Ricardo Coutinho.
Wilbur comenta  aspectos da balança comercial brasileira, a participação da Paraíba no comércio internacional, entre outros aspectos da economia do nosso Estado.
Entrevista
Como nasceu a idéia de ir à China pela primeira vez?
A Lojas Maia tinha um projeto de desenvolver marca própria. E eles precisavam de alguém que tivesse vivência em marketing e falasse inglês fluente. Daí entrei no projeto e passei meus primeiros dias na China. Fui à feiras, visitei fornecedores e desenvolvi produtos, manuais e embalagens...
 
Depois de passar pelo Porto de Cabedelo e pela Secretaria Executiva de Desenvolvimento Econômico, qual sua avaliação do setor públicos?
Presidir o Porto de Cabedelo foi importante para agregar conhecimento nas operações com navios de cargas de projeto, granéis líquidos e sólidos. Sempre fui cliente de porto. E ali tive oportunidade de estar do outro lado. A proatividade comercial me rendeu um dos maiores recordes de movimentação de cargas na história da Paraíba. Em 2013, por exemplo, chegamos a movimentar quase 2.000.000 de toneladas. Já na Secretaria de Desenvolvimento Econômico coloquei em prática a habilidade comercial para receber indústrias e distribuidoras que gostariam de investir no Estado.
 
Você teve alguns conflitos no Governo? Você xingou realmente a ex-presidente Dilma?
Não foi exatamente um conflito, nem xingamento. No entanto, o governo do PT nunca investiu na infraestrutura portuária na Paraíba. E naquele ano de 2013 ainda queria que ficássemos responsáveis pelo passivo trabalhista da antiga Portobrás. Nunca me submeti a politicagens que fossem prejudicar a operação portuária local. Na verdade, a minha postura empresarial rendeu os melhores lucros brutos e líquidos da história do Porto de Cabedelo.
 
E qual a avaliação da política do governo federal em relação a Infraestrutura?
Acho que o Governo do PT perdeu o foco. Levou dinheiro do BNDES para construir porto em Cuba e esqueceu da necessidade da Paraíba. Já o atual Governo não apresentou nenhuma ação concreta para desburocratizar os arrendamentos portuários, nem para estimular a cabotagem de cargas. Ainda somos reféns do modal rodoviário. Precisaríamos de mais e melhores ferrovias e portos.
 
O que tem a dizer sobre a balança comercial brasileira?
A balança comercial brasileira descreve o perfil de produção agrícola do país. Ainda temos muito que avançar na flexibilidade tributária e trabalhista. Não conseguimos ser competitivos nesse mar de burocracia e sindicalismo. Precisamos focar numa indústria de transformação que fabrique produtos de valor agregado.
 
E a Paraíba nesse contexto de importações e exportações?
A Paraíba importa mais que exporta. E 77% do que importa é para distribuição e varejo. Ou seja, não temos uma indústria forte. Precisamos fortalecer a produção industrial para gerar mais empregos e, especialmente, ter produtos de valor agregado para lançar no mercado internacional. Não podemos depender apenas do mercado nacional.
 
O que seria estratégico para melhorar o crescimento econômico?
Vejo a educação técnica como fator primordial para ter uma mão de obra capaz de se adequar aos novos tempos. Mas temos que investir no ensino de idiomas (inglês, espanhol) como formação básica e obrigatória. Precisamos de profissionais fluentes. Agora, precisamos repensar nossa relação com a China. Atualmente, nosso fluxo comercial é insignificante. Temos como quintuplicar as exportações para eles. E isso só se faz com promoção comercial, incentivo à produção local e capacitação dos empresários.
 
Assessoria de Imprensa

Postado às 19h, por Cândido Nóbrega


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