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22 FEV
15h49

City Bus 2.0: uma alternativa


City Bus 2.0: uma alternativa

Uma das últimas inovações no transporte público foi o surgimento do transporte coletivo por demanda, City Bus 2.0, que este mês completa um ano de funcionamento. O uso da tecnologia no transporte é muito importante no planejamento de sistemas, integração e informação de quem se movimenta na cidade. Apesar do franco crescimento dessa opção, e da facilidade que traz ao usuário, ela não representa a solução para o transporte coletivo. No entanto, se o padrão de qualidade do serviço fosse valorizado nos ônibus comuns, a realidade da mobilidade da Capital poderia ser diferente, avalia especialista.

Para a Professora da Universidade Federal de Goiás (UFG) Erika Cristine Kneib, arquiteta e urbanista, doutora em transportes, o atendimento das necessidades do transporte e mobilidade não passa por uma única solução, mas de um conjunto de medidas que integra as diferentes necessidades dos cidadãos. "Não existe uma solução única para a mobilidade. Ela só será melhorada com ações conjuntas e paralelas. A integração aumenta as opções e oportunidades de deslocamento, o que gera a utilização de modos mais adequados, como o caminhar, a bicicleta e o transporte coletivo", defende Erika.

A especialista afirma que a valorização do transporte coletivo na cidade é fundamental, pois este é o único modo motorizado de transporte capaz de promover uma mobilidade mais sustentável. Outro fator essencial é garantir o deslocamento adequado dos pedestres e ciclistas na cidade, principalmente para curtas distâncias. Usuários do City Bus 2.0 têm elogiado a qualidade do serviço. "Se o transporte coletivo comum oferecesse o mesmo conforto, segurança e pontualidade que as vans, muitas pessoas deixariam o carro em casa", avalia Erika.

O estudante de engenharia mecatrônica, Lucas Charbel utiliza o City Bus 2.0 diariamente desde o início de circulação das vans, há um ano. "Eu não tenho nada a reclamar do serviço. Sempre foi bom e por isso nunca parei de usar". Ele acredita que o padrão de qualidade do ônibus comum deveria ser o mesmo do transporte coletivo por demanda. "Se o eixão fosse bom desse jeito ninguém ia colocar o carro na rua". Lucas não deseja comprar um carro. "O transporte por aplicativo e o coletivo por demanda suprem minhas necessidades".

No entanto, ele alega que se não morasse em um setor próximo de suas atividades, teria que apelar para o transporte coletivo convencional ou na compra de um veículo individual. Lucas mora no Setor Sul e faz trajetos para o Centro e Setor Aeroporto. "Se eu morasse mais longe, o City Bus 2.0 deixaria de compensar para mim", o estudante afirma que gasta cerca de R$ 7,5 em cada viagem. O preço do trajeto é proporcional à distância percorrida.

Distância

Os bairros mais periféricos são os que mais sofrem com o transporte público. As linhas são mais escassas nessas regiões. O sistema em sua fase de testes, o City Bus 2.0 começou a circular em apenas 11 bairros da Capital. Em um ano de atividades o serviço quase triplicou esse número. No entanto, como a taxa do transporte aumenta proporcionalmente à distância percorrida, ele fica oneroso para quem tem que ir para as regiões centrais todos os dias.

Para viagens mais longas, o custo fica muito superior à integração promovida pelos terminais onde o usuário paga apenas uma passagem para utilizar diversas linhas de ônibus e percorrer longas distâncias na Região Metropolitana.

Fuga dos usuários

De acordo com a Companhia Metropolitana de Transporte Coletivo (CMTC), o transporte coletivo comum realiza cerca de 11 milhões de viagens por mês na Grande Goiânia, o número não inclui o número de viagens do City Bus 2.0.

Segundo o cálculo por meio da fórmula paramétrica encontrada no contrato de concessão do serviço e com os índices oficiais que são utilizados pela Companhia Metropolitana de Transportes Coletivos (CMTC), a passagem do ônibus comum pode chegar a R$ 4,60 sem apresentar nenhuma melhoria para a população.

O manobrista Johnathan Oliveira, 22 anos, tem pesadelos só de pensar em voltar para o ônibus. "Desde os meus 18 anos eu financiei uma moto e saí do ônibus. Não quero voltar nunca mais. Todo mundo da minha família que anda no transporte coletivo almeja comprar um carro ou uma moto". Johnat-han trabalha em restaurantes do Setor Marista e mesmo que quisesse voltar a sofrer, seu horário é incompatível com os horários de circulação do transporte coletivo. Ele sai do trabalho às 2h.

 

Postado às 15h, por Cândido Nóbrega


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