Publicado em 25/11/2013 às 23:24

Ex-auditor do Tribunal de Contas denuncia golpe da previdência privada do Banco do Brasil

O sonho de uma previdência privada complementar tornou-se um pesadelo para o ex-auditor do Tribunal de Contas do Estado, Elinaldo Barbosa. Ao passar a trabalhar como contador, ele decidiu contribuir para a previdência geral (INSS), dentro do teto fixado para o valor limite do benefício, com vistas a garantir melhores condições de vida na melhor idade.

A queda e...

Assediado pela gerência da sua agência do Banco do Brasil, aceitou contribuir para o Brasilprev por um período de dez anos e assim complementar os proventos do INSS. Ao ser aposentado pela previdência geral, já sofreu os efeitos do redutor "constitucional", passando a perceber apenas 2/3 do que tinha direito. Mas o pior ainda estava por vir.

...o coice

"Ao completar 60 anos de idade, fui surpreendido pelo Brasilprev com propostas indecentes de benefícios, totalmente diferentes dos que me haviam sido propostos quando da adesão ao plano" lamentou. Segundo ele, para um saldo de cotas equivalente a R$ 120.028,00, representativo do principal aplicado (R$ 79.153,00) e de rendimentos (R$ 40.875,00) foi-lhe oferecido:

-  Aposentadoria por 4 anos no valor de R$ 2.461,00 mensais ;

-               "             "   5 anos no valor de R$ 1.977,00 mensais;

- Aposentadoria vitalícia no valor de R$ 395,00

- Resgate das cotas com tributação de imposto de renda sobre o valor total

Ou seja, de um capital de R$ 120.028,00 ele pagou R$ 32.217,00 de imposto de renda, restando-lhe um saldo livre de apenas R$ 87.811,00, que comparado ao montante principal aplicado (R4 79.153,00), representou um ganho de R$ 8.658,00, equivalente a 10,93% de rendimentos em um decênio ou 1,09 % ao ano.

Relação custo-benefício

Para Elinaldo, isso demonstra que os planos de rendas não compensam os valores investidos, pois o valor do capital final renderá mensalmente mais que a renda oferecida pelo fundo previdenciário. "Ou seja, o Brasilprev aplica meu dinheiro, com os rendimentos paga meu benefício e mantém na integridade o principal e os ganhos excedentes às rendas desembolsadas", concluiu, desolado.

Diante desse desequilíbrio na relação custo-benefício do investimento, ele resgatou o dinheiro aplicado no PGBL tributado pelo Imposto de Renda com alíquota de 27,5%, "transformando o retorno do sonho em outro pesadelo", pela incidência do IR na fonte sobre o valor global das contas existentes, incluídas as parcelas do principal aplicado, resultado de poupança d rendimentos ganhos e devidamente tributados nas declarações de cada exercício, numa clara prática ilegal de bi-tributação.

Aviso aos navegantes

Por fim, Elinaldo disse que não lhe restou outra saída, senão denunciar o fato à sociedade, sobretudo às incautas e potenciais vítimas, bem como recorrer à justiça para reparar o prejuízo estimulado pelo governo através desse tipo de previdência.