Publicado em 31/10/2013 às 22:27

Revista denuncia fornecimento de comida a presos como fonte bilionária de corrupção

A revista Carta Capital desta semana traz extensa matéria sobre denúncias de superfaturamento e falta de higiene na terceirização do fornecimento de comida a delegacias, cadeias e presídios por empresas protenciais doadoras de campanhas eleitorais, nos estados do Acre, Minas Gerais, Espírito Santo, Mato Grosso, São Paulo, Tocantins, Pará, Goiás, Maranhão, Distrito Federal e Rio de Janeiro.

Segundo a reportagem, uma parte das empresas contratadas nem sequer paga funcionários, pois os presos trabalham nas cozinhas dos presídios, mas cobra do poder público pelas refeições fornecidas por preços até duas vezes superiores aos praticados do lado de fora. Algumas superestimam a quantidade de presos, vendem um cardápio e entregam outro, sem fiscalização para verificar em milhares de refeições quais pesam mais ou menos.


No Acre por exemplo, desde a chegada do PT à administração estadual em 1999, uma mesma empresa fornece alimentação aos presídios, a Tapiri Indústria de Alimentos, investigada por superfaturamento e utilização de produtos com validade vencida, pertencente à família do ex-vereador, ex-secretário e atual procurador-geral do município Pascal Khalil.

Já em São Paulo, entidades de defesa dos direitos humanos nas cadeias da capital avistaram o tipo de carne apelidado de "carne de monstro" na forma de hambúrgueres tão brancos que era impossível dizer se eram de boi, porco frango. Para o CNJ, a comida é descrita como precária e motivadora de corrupção nos presídios. No Rio Grande do Sul, existem cantinas terceirizadas no interior dos presídios, mas os ítens são disputados entre as facções criminosas, que os revendem a presos comuns.