Publicado em 02/08/2018 às 20:57

Levantamento da Defensoria Pública constata 853 presos sem documentos na Paraíba

Um levantamento realizado pela Defensoria Pública da Paraíba (DPPB) constatou a existência de 853 apenados sem documentação nos presídios paraibanos. Fruto do projeto itinerante Cidadania nos Estabelecimentos Penais, realizado pelas gerências da Execução Penal e Acompanhamento de Penas Alternativas e da Articulação com Estabelecimentos Penais, esse levantamento resultará em uma ação coletiva envolvendo vários órgãos do Estado, além da Associação dos Notários e Registradores da Paraíba (Anoreg), que viabilizará a retirada de documentos dos apenados.
 
Na última segunda-feira (30), representantes de todos os órgãos envolvidos, incluindo as secretarias estaduais da Administração Penitenciária, Segurança e Defesa Social, Saúde e Desenvolvimento Humano, além do Instituto de Polícia Científica (IPC) - estiveram na sede da Defensoria Pública para a apresentação da minuta do Termo de Cooperação Técnica que estabelecerá as cláusulas do acordo.
 
De acordo com a gerente executiva da Execução Penal e Acompanhamento de Penas Alternativas da DPPB, Waldelita Cunha, embora o Termo ainda não tenha sido assinado, o processo de retirada dos documentos já está bem avançado. Ela afirma que já foi acordada com a representante da Secretaria de Saúde a coleta do exame de sangue da Penitenciária de Reeducação Feminina Maria Júlia Maranhão, como também já foi enviado para o IPC a relação dos nomes das internas para a checagem dos dados.
 
“Esse levantamento foi realizado de janeiro a junho deste ano e agora damos mais um importante passo que é a retirada dos documentos. Iniciaremos esse trabalho pelo presídio feminino de João Pessoa e depois avançaremos pelas demais penitenciárias do Estado”, explicou a defensora.
 
A ausência de documentos gera uma série de dificuldades para os apenados dentro e fora da prisão. “Os presos ficam impedido de regularizar sua vida conjugal (casamento), de requerer o auxílio-reclusão e deixam de gozar o direito de responder o processo em liberdade por não ter documentos, entre outros contratempos. Além disso, fora da prisão, é muito mais difícil reconstruir a vida sem os seus documentos pessoais. Essa é uma ação de cidadania e a Defensoria tem se engajado para requerer o direito dos apenados”, afirmou Waldelita.
 
Confira a distribuição do número de presos sem documentos por penitenciária no estado da Paraíba:
 
- Penitenciária “Flósculo da Nóbrega” (473)
 
- Penitenciária de Segurança Média “Juiz Hitler Cantalice” (24)
 
- Penitenciária de Segurança Máxima “Geraldo Beltrão” (102)
 
- Penitenciária “Des. Silvio Porto” (48)
 
- Penitenciária “Dr. Romeu Gonçalves de Abrantes” (133)
 
- Penitenciária Regional Especial “Des. Francisco Espínola” (3)
 
- Instituto de Psiquiatria Forense (8)
 
- Penitenciárias Femininas “Maria Júlia Maranhão” (33)
 
- Campina Grande (12)
 
- Cajazeiras (14)
 
- Patos (3)