Consultor financeiro Matheus Galvão analisa o impacto de anos eleitorais, explica o que sustenta a resiliência do setor e aponta os principais cuidados para investir com mais segurança
Em cenário de ano eleitoral e transformações econômicas, o comportamento do investidor tende a mudar. No entanto, isso não significa, necessariamente, retração no mercado imobiliário. Historicamente associado à segurança e à preservação de patrimônio, o setor segue ativo, ainda que com decisões mais criteriosas e um olhar mais técnico por parte de quem investe.
O consultor financeiro Matheus Galvão, especialista em gestão financeira empresarial e com atuação direta junto a incorporadoras e empresas em crescimento, como a GHC Incorporações, em João Pessoa, analisa como esse movimento se desenha na prática.
Atualmente, à frente da Witurn (@witurnfinance), Matheus analisa os efeitos dos anos eleitorais, explica o que sustenta a resiliência do setor e aponta os principais cuidados para investir com mais segurança em 2026. A seguir, confira a entrevista.
Em anos eleitorais, é comum observar maior cautela por parte dos investidores? De que forma esse comportamento impacta o mercado imobiliário?
Sim, é natural que em anos eleitorais o investidor fique um pouco mais cauteloso. O período costuma trazer incertezas sobre política fiscal, trajetória de juros e confiança na economia. No mercado imobiliário, porém, esse efeito tende a ser mais moderado. Diferentemente de ativos financeiros de alta liquidez, o imóvel é um investimento de ciclo longo e normalmente está ligado a necessidades reais, como moradia, renda ou diversificação patrimonial. Por isso, o que geralmente acontece não é uma paralisação do mercado, mas sim um processo de decisão mais criterioso por parte do comprador.
O imóvel ainda é visto como uma ferramenta de proteção patrimonial? Quais fatores tornam o setor mais resiliente em momentos de incerteza?
Sem dúvida. O imóvel continua sendo um dos instrumentos mais tradicionais de proteção patrimonial no Brasil. Ele é um ativo real, que tende a preservar valor ao longo do tempo e que pode gerar renda por meio de locação. Além disso, o setor imobiliário tem uma característica importante: ele está conectado a uma demanda estrutural da economia, que é a necessidade de moradia. O Brasil ainda possui um déficit habitacional relevante, o que cria uma base de demanda relativamente constante. Essa combinação de ativo real, geração de renda e demanda estrutural faz com que o mercado imobiliário seja, em muitos momentos, mais resiliente do que outros tipos de investimento.
O que o investidor deve analisar antes de fechar negócio? Como identificar se um empreendimento possui bases financeiras sólidas?
Antes de fechar negócio, o investidor precisa olhar além do produto e avaliar a qualidade do projeto como um todo. Isso envolve analisar a localização, o perfil da demanda naquela região e o potencial de liquidez ou valorização do imóvel. Mas um ponto que muitas vezes é ainda mais importante é a estrutura financeira do empreendimento. É fundamental observar se a incorporadora possui planejamento financeiro sólido, financiamento adequado da obra, auditoria, seguro, cronograma realista e governança mínima de acompanhamento. Empreendimentos bem estruturados costumam ter fluxo de caixa equilibrado, boa velocidade de vendas e capacidade de absorver eventuais oscilações de custo ou de mercado.
Quais são as perspectivas para o mercado imobiliário em 2026?
As perspectivas para 2026 indicam um cenário de continuidade do mercado, embora com seletividade. O setor imobiliário tem mostrado resiliência mesmo em ambientes de juros mais elevados, muito por conta da demanda estrutural por moradia e da profissionalização crescente das incorporadoras.
O investidor que olhar com atenção para localização, fundamentos econômicos do projeto e credibilidade da incorporadora tende a continuar encontrando boas oportunidades. O mercado talvez não esteja em um momento de euforia, mas continua sendo um ambiente consistente para quem pensa em investimento imobiliário com visão de médio e longo prazo.