O Conselho Federal de Medicina baniu em definitivo o uso do polimetilmetacrilato, o polêmico PMMA, para fins estéticos e reparadores em todo o território nacional. A determinação barra a atuação médica com o composto a partir desta terça-feira (2), quando o texto oficial passa a valer. A restrição drástica atende a um clamor antigo de entidades de saúde e extingue a aplicação comercial de um produto que coleciona históricos de deformidades e invalidez pelo país, mantendo sua permissão legal única e estrita para pacientes com HIV/Aids assistidos pelo SUS.
A reviravolta institucional surge no rastro de mais uma tragédia que chocou a opinião pública na última semana. A maquiadora Roseli Fernandes de Oliveira Romeiro Vieira, de 48 anos, perdeu a vida horas após receber uma aplicação de 300 ml da substância em uma clínica na Zona Sul de São Paulo. O caso, registrado pelas autoridades policiais como investigação de homicídio, junta-se aos relatos públicos e dramáticos de influenciadoras como Mariana Michelini e Maíra Cardi, cujas sequelas físicas expuseram os perigos reais do preenchimento permanente.
Barreira ética intransponível
Tecnicamente, o PMMA consiste em microesferas plásticas que não são absorvidas pelo organismo humano, gerando reações severas a longo prazo. Embora a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) ainda mantenha o comércio do produto autorizado sob justificativas de uso restrito, o veto dos médicos impõe uma barreira ética intransponível dentro dos consultórios regulamentados. A decisão tenta estancar uma crise de segurança sanitária camuflada pela busca imediata por padrões estéticos artificiais.
Essa nova postura do tribunal da medicina redesenha o mercado da beleza e joga luz sobre a responsabilidade profissional no uso de preenchedores. A partir de agora, o médico que insistir na aplicação do polímero responderá por infração ética grave, salvando vidas de pacientes desinformados que buscam procedimentos sem medir as consequências do amanhã. O cerco fechou, e a sociedade ganha um escudo importante contra os riscos invisíveis do preenchimento definitivo.