Segundo dados do IBGE apresentados em sessão especial na Câmara Municipal ontem sobre o atendimento a pessoas neurodivergentes, a capital paraibana registra 11.681 pessoas com diagnóstico de autismo, enquanto a rede pública de saúde conta com apenas um psiquiatra infantil, lotado na Policlínica de Mandacaru.
A mãe atípica Maria Cícera Batista deu o tom mais sensível da discussão ao relatar a rotina de incertezas enfrentada por famílias. “Não estou aqui só por mim e pelo meu filho, mas também para lutar pelos direitos de outras crianças e de outras mães, mulheres que estão sozinhas e exaustas, que vão buscar ajuda e muitas vezes voltam de mãos vazias”, afirmou.
O depoimento foi acompanhado por relatos de dificuldades no acesso contínuo a acompanhamento especializado.
Tempo de espera de até um ano
A representante dos Conselhos Tutelares, Patrícia Falcão, apontou que o tempo de espera para reavaliação ou ajuste de medicação pode chegar a um ano. Ela também destacou a falta de especialistas na rede pública, como neuropediatras, psicólogos, terapeutas ocupacionais e fonoaudiólogos, o que compromete o diagnóstico e o acompanhamento de crianças e adolescentes.
A sessão especial foi proposta pelo vereador Marcos Henriques (PT) e reuniu mães atípicas, representantes de órgãos públicos e instituições. Os participantes defenderam ampliação da rede de atendimento, integração entre saúde e educação e fortalecimento das políticas públicas voltadas ao autismo em João Pessoa.