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Dengue, zika, chikungunya e Oropouche: infectologistado Huac-UFCG/HU Brasil explica diferenças e alerta para riscos da automedicação

Dengue, zika, chikungunya e Oropouche: infectologistado Huac-UFCG/HU Brasil explica diferenças e alerta para riscos da automedicação

Febre, dor de cabeça, dor no corpo, náuseas e mal-estar estão entre os sintomas que podem aparecer em diferentes arboviroses (viroses transmitidas por insetos), como dengue, zika, chikungunya e Oropouche. Embora essas doenças apresentem manifestações semelhantes, a evolução, os riscos e as possíveis complicações podem ser bastante diferentes.

De acordo com o infectologista Rodolpho Dantas, do Hospital Universitário Alcides Carneiro (Huac-UFCG), vinculado à HU Brasil, a semelhança entre os sintomas torna arriscada a tentativa de identificar a doença apenas pela observação dos sinais. O acompanhamento profissional é importante para avaliar a evolução do quadro e, quando indicado, realizar exames que auxiliem na identificação do vírus.

O especialista afirma que um dos principais exemplos é a dengue. A doença costuma durar sete dias e apresenta, inicialmente, febre, dor de cabeça, dores no corpo, náuseas, vômitos, diarreia, tontura e, em alguns casos, vermelhidão na pele, dor atrás dos olhos e dor nas pernas. Entre o terceiro e o quinto dia, porém, ocorre um período que exige atenção especial: a febre pode diminuir justamente quando começam a surgir sintomas da dengue grave.

“Na verdade, esse período chamamos de choque da dengue, porque esse nome dengue hemorrágica acaba sendo enganoso. Muitas pessoas têm dengue hemorrágica e não sangram, enquanto outras pessoas sangram e não têm dengue hemorrágica. Então, nessa fase, depois do terceiro ao quinto dia, que baixam as plaquetas e também diminui a circulação do nosso corpo, é um choque circulatório (o líquido extravasa, sai dos vasos, e temos dificuldade de circular o sangue e isso é que passa a ser grave), podendo causar sonolência excessiva ou agitação, dor abdominal intensa e contínua (quando o líquido extravasa para o abdômen), falta de ar ou taquipneia (que é aumento da frequência respiratória devido ao líquido extravasar para os pulmões), baixa de pressão e pode, por causa disso também, aparecer aqueles sintomas hemorrágicos: sangramento gengival, aumento de sangramento menstrual, manchas na pele, que chamamos de petéquias, devido ao sangramento”, explica Rodolpho Dantas.

O período entre o quinto e o sétimo dia é o mais importante, pois é considerado uma fase crítica, em que as plaquetas podem baixar ainda mais. Por isso, é importante adotar algumas medidas para evitar uma queda considerável, como beber bastante líquido (normalmente, de 60 a 80 ml por quilo por dia, o que representa um volume bastante alto. Por exemplo, uma pessoa de 50 kg vai tomar 3 litros a mais de líquido por dia) e evitar o uso de anti-inflamatórios.

“O anti-inflamatório e o ácido acetilsalicílico (AAS) podem fazer com que a pessoa, já com as plaquetas baixas, tenha um sangramento maior, e isso pode ser a diferença entre a vida e a morte desse paciente crítico com dengue. Então é muito importante, se você tem uma arbovirose e não tem certeza do que é, evitar se automedicar”, alerta o infectologista.

Zika, chikungunya e Oropouche

Para Rodolpho Dantas, apesar de frequentemente associada à dengue, a febre não é suficiente para identificar qual arbovirose está causando o quadro. Na zika, por exemplo, a febre e as dores costumam ser mais leves, enquanto vermelhidão na pele e conjuntivite são manifestações frequentes. A doença geralmente apresenta evolução mais branda, mas requer atenção especial em gestantes devido à associação do vírus com a microcefalia, que pode afetar o bebê.

Já a chikungunya costuma se destacar pela intensidade das dores nas articulações. Em alguns pacientes, esse sintoma pode permanecer por meses ou até mais tempo após a fase aguda da infecção, comprometendo atividades cotidianas.

Outra arbovirose que merece atenção é o Oropouche. Nos primeiros dias, os sintomas podem se assemelhar aos da dengue, com febre, dor de cabeça, dores no corpo, dor atrás dos olhos, náuseas, vômitos, diarreia e tontura. Um dos sinais que pode chamar a atenção é a intensidade da dor de cabeça. Em casos mais graves, manifestações neurológicas, como confusão mental, sonolência excessiva, agitação e desorientação, podem surgir posteriormente.

Diante da circulação simultânea de diferentes arboviroses, o infectologista reforça que a identificação da doença não deve ser feita apenas pelos sintomas. A avaliação médica é importante principalmente quando o quadro apresenta sinais de agravamento ou quando as manifestações persistem ou mudam ao longo dos dias.

Prevenção continua sendo fundamental

Além dos cuidados individuais, como o uso de repelente, roupas que cubram braços e pernas e mosquiteiros, o combate às arboviroses depende da redução da presença dos mosquitos transmissores, a exemplo do Aedes aegypti.

Medidas como eliminar recipientes que acumulem água parada, manter caixas-d’água devidamente fechadas e realizar a limpeza periódica desses reservatórios, além de evitar deixar materiais que possam acumular água em terrenos baldios, entre outras ações, ajudam a reduzir os criadouros.

Sobre a HU Brasil

O Huac-UFCG faz parte da Rede HU Brasil desde 2015. Criada por meio da Lei nº 12.550/2011 e vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a estatal nasceu tendo como nome oficial Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh). É responsável pela administração de 47 hospitais universitários federais em 25 unidades da federação.

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