Valorização de empreendimentos e crescimento do setor de bares e restaurantes ajudam a impulsionar novos formatos de lazer e alimentação na capital paraibana
O que antes era apenas o espaço no topo de um edifício passou a ter outro papel nos projetos de bares, restaurantes e empreendimentos imobiliários. Em João Pessoa, os rooftops começam a ocupar um lugar mais definido na cena gastronômica da cidade, combinando localização, arquitetura, gastronomia e programação em ambientes que têm a própria paisagem como parte da proposta.
O formato acompanha uma mudança no comportamento do consumidor. Para turistas, pode funcionar como ponto de partida para conhecer a cidade de outra perspectiva ou como opção para um happy hour. Para quem mora em João Pessoa, entra no roteiro de almoços, jantares, encontros e momentos de lazer. A localização elevada, nesse contexto, deixa de ser apenas uma característica do imóvel e passa a interferir diretamente na experiência de quem frequenta o espaço.
Um movimento que chega ao mercado imobiliário
A expansão dos rooftops também chama atenção fora do setor de alimentação. Dados da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip) apontam valorização de 20% em imóveis com esse tipo de estrutura, o que reforça o interesse de empreendimentos que buscam agregar novos atributos aos projetos.
Na gastronomia, o cenário também é de crescimento. Segundo a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), as vendas de bares e restaurantes na Paraíba avançaram 18,8% em agosto de 2026, na comparação com o mesmo mês do ano anterior. O resultado colocou o estado na liderança entre os 24 analisados pela pesquisa, enquanto o setor registrou alta de 7,4% no país.
Os números ajudam a contextualizar a expansão de formatos que vão além da oferta tradicional de comida e bebida. Em um mercado mais competitivo, localização, arquitetura, programação e ambientação passam a ter peso na decisão do público, e o rooftop reúne esses elementos em um único espaço.
Em João Pessoa, o alto dos edifícios vira endereço gastronômico
Na capital paraibana, o movimento já pode ser observado em empreendimentos que incorporaram o formato à sua operação. É o caso do SEA Rooftop, instalado no alto do Hotel Oceana Atlântico, no Bessa.
O espaço reúne gastronomia, coquetelaria e programação musical, tendo a faixa litorânea como cenário. Para o gerente da casa, Caio Torres, a procura por esse tipo de ambiente está relacionada também à necessidade de encontrar lugares que ofereçam uma mudança de ritmo dentro da própria cidade.
“Nas capitais, onde a rotina costuma ser densa e acelerada, o cliente busca o que chamamos de ‘respiro arquitetônico’. Subir para um rooftop não é apenas mudar de andar, é mudar de clima. Para os turistas, é a chance de dominar a geografia da cidade de um ponto de vista privilegiado”, afirma.
A proposta, no entanto, não se sustenta apenas pela altura. No SEA Rooftop, o cardápio acompanha a localização e aposta em ingredientes associados à gastronomia litorânea, enquanto a carta de bebidas explora vinhos, coquetelaria e drinks autorais.
“Nosso cardápio exalta os frutos do mar, com insumos premium como lagosta, polvo e lombo de bacalhau. Nossa carta de bebidas foi pensada para harmonizar com o clima praiano, com uma seleção de vinhos e opções de alta coquetelaria, além de drinks refrescantes e autorais”, explica o gestor.
O rooftop passa a funcionar como um endereço dentro do próprio endereço. O andar mais alto deixa de ser apenas parte da estrutura do prédio e assume uma função comercial, gastronômica e de lazer. Em João Pessoa, onde a relação com o litoral influencia tanto o turismo quanto a vida cotidiana, o formato encontra um cenário favorável para ampliar sua presença na cidade.