A concessão de auxílios-doença por síndrome de burnout no Brasil cresceu de forma acelerada nos últimos anos, pressionando diretamente as contas do Instituto Nacional do Seguro Social e da Previdência Social, segundo dados oficiais do Ministério da Previdência Social. Entre 2021 e 2024, os afastamentos por esgotamento no trabalho aumentaram 493%, passando de 823 para 4.880 casos, e só nos primeiros seis meses de 2025 somaram 3.494 registros, o equivalente a 71,6% do total do ano anterior.
No contexto dessas estatísticas, o estado da Paraíba aparece com 97 afastamentos por burnout em 2024, o que indica que a realidade da crise de saúde mental atinge também o Nordeste e contribui para o crescimento nacional desses pedidos de auxílio-doença. O avanço dos afastamentos por transtornos mentais é refletido no conjunto dos benefícios do INSS: em 2024, foram 472,3 mil auxílios relacionados à saúde mental, incluindo depressão e ansiedade, de um total de 3,6 milhões de afastamentos.
Sintomas
Especialistas e trabalhadores relatam que sintomas como irritabilidade, insônia e queda de desempenho prolongados costumam ser ignorados até que a situação atinja níveis incapacitantes. Perfis informais e subnotificações podem mascarar a real dimensão do fenômeno, já que muitos adoecimentos não são classificados diretamente como burnout ou sequer entram nas estatísticas porque não contribuem para o INSS.
O crescimento expressivo desses afastamentos está se traduzindo também em impacto financeiro: os gastos com auxílios por incapacidade temporária passaram de R$ 18,9 bilhões em 2022 para R$ 31,8 bilhões em 2024, com despesas totais da Previdência alcançando R$ 876,9 bilhões no último ano contabilizado. A evolução dos números sugere que o burnout e os transtornos mentais ligados ao trabalho se consolidam como desafios estruturais para o sistema previdenciário e para a organização do trabalho no Brasil.