Canteiros de obras, escritórios de engenharia e empresas da construção civil convivem com pressões operacionais, prazos rigorosos e ambientes de trabalho intensos. Nesse contexto, os chamados riscos psicossociais ligados à sobrecarga, estresse e organização do trabalho passam a integrar de forma obrigatória a gestão de segurança ocupacional também dessas empresas.
A NR-1 é a norma que define as bases para a segurança e saúde no trabalho no Brasil. Reflete a necessidade de abordar questões contemporâneas, como os riscos psicossociais, e exigem que as empresas se mobilizem para garantir a conformidade com essas diretrizes.
A inclusão obrigatória no Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) precisa ser documentada, avaliada e controlada a partir do próximo dia 26 de maio e exigirá também dessas empresas avaliação estruturada desses fatores.
Posturas reativas
Pesquisa realizada em janeiro pela consultoria de recursos humanos Heach indica que 68% das empresas ainda não compreendem plenamente as mudanças da norma. O levantamento também mostra que 58% das organizações adotam postura reativa, tratando questões de saúde mental apenas após afastamentos, denúncias formais ou disputas judiciais. Com a nova diretriz do Ministério do Trabalho e Emprego, a análise de riscos psicossociais passa a integrar oficialmente o Programa de Gerenciamento de Riscos das empresas.
Dados da Organização Mundial da Saúde indicam que depressão e ansiedade provocam a perda de cerca de 12 bilhões de dias de trabalho por ano no mundo, com impacto econômico estimado em US$ 1 trilhão. Diante desse quadro, especialistas em gestão corporativa apontam que empresas da construção civil, engenharia e incorporação imobiliária terão de integrar tecnologia, análise de dados e políticas internas de bem-estar para atender às novas exigências regulatórias e preservar produtividade, segurança e sustentabilidade das operações.