A ESIM, voltada à oferta de cursos de tecnólogo, graduação e pós-graduação, remete ao debate sobre a formação do corretor de imóveis no Brasil. Mantida pelo Instituto Brasileiro de Educação Profissional e instalada em Florianópolis (SC), a escola propõe ampliar o alcance educacional de um setor historicamente marcado por formações rápidas e sem exigência de nível superior.
A iniciativa surge em um mercado em franca expansão e sob a condução de um dirigente com atuação direta na estrutura federal de regulação da categoria.
O IBREP é presidido por Celso Pereira Raimundo, que também ocupa o cargo de diretor adjunto de Inovação e Tecnologia do Conselho Federal de Corretores de Imóveis (Cofeci). Antes da criação da ESIM, o Instituto já operava nacionalmente na formação básica de corretores de imóveis, oferecendo cursos com exigência de ensino médio completo, duração mínima de cinco meses e modalidade predominantemente a distância, conforme informações divulgadas pela própria entidade em seu site.
Acesso fácil e rápido à profissão
Esse modelo dialoga com uma realidade nacional de acesso facilitado à profissão, com cursos que podem custar a partir de R$ 530, parcelados em até 12 vezes, além de bolsas que reduzem o valor das mensalidades para patamares entre R$ 50 e R$ 63. A combinação entre formação relâmpago e baixo custo continua a contribuir para o ingresso massivo e pouco ou nada seletivo de novos profissionais no mercado imobiliário.
O estado da Paraíba é um exemplo objetivo. Dados do Creci-PB indicam que o número de inscritos ativos saltou de 10.765 em 2023 para 17.690 em 2024. Em 2025, segundo informações publicadas no perfil oficial do Conselho no Instagram, foram entregues mais 2.000 carteiras profissionais, o que representa crescimento acumulado de 82,90% em três anos. Apenas entre 2023 e 2024, os registros de pessoas físicas avançaram de 9.937 para 16.118, enquanto os de pessoas jurídicas passaram de 828 para 1.572.
Respectiva evolução financeira
Esse aumento vertiginoso no quadro de inscritos reflete-se diretamente na saúde financeira do órgão. Entre 2021 e 2024, a receita corrente realizada pelo Conselho na Paraíba saltou de R$ 5.148.055,00 para quase R$ 10 milhões, um crescimento de 91,77%. O fenômeno evidencia como o baixo critério de barreira para a entrada de novos profissionais atua como o principal motor arrecadatório do sistema.