O inquérito instaurado pela Polícia Federal em julho do ano passado, durante a operação “Dirty Property”, em Cajazeiras, Sertão da Paraíba, continua em curso na Delegacia da instituição em Patos. Logo na deflagração, foram sequestrados cerca de R$ 30 milhões, apreendidos veículos, inclusive localizados em oficinas, e três empresas suspeitas de lavagem de dinheiro tiveram a atividade econômica suspensa.
Desde o início, a investigação aponta que os criminosos montaram um esquema para ocultar a real propriedade de aproximadamente 20 imóveis urbanos e rurais no município, utilizando interpostas pessoas e estruturas empresariais para disfarçar a titularidade dos bens.
Entre os elementos sob apuração está a constituição de uma imobiliária fictícia, criada para dar aparência de legalidade às transações e já citada em outra ação da PF realizada em 2024. A suspeita é de que o grupo tenha recorrido a contratos simulados e movimentações financeiras fragmentadas para mascarar a origem dos recursos e dificultar o rastreamento patrimonial.
Apreensão no setor
O caso ganhou dimensão em um período de expansão do mercado imobiliário de Cajazeiras, impulsionado pela primeira atualização do Plano Diretor desde 1979, além da revisão do Código de Urbanismo e Obras e do Código Tributário municipal. Com novos condomínios horizontais já implantados e expectativa de adensamento urbano, paira desconfiança sobre a cadeia produtiva da construção e do mercado imobiliário local, que por sua vez continua apreensiva diante do potencial impacto pelo desdobramento das investigações.
Exercício ilegal da profissão
No contexto de maior controle institucional pela população quanto a falsos corretores e imobiliárias, o Tribunal de Contas da União determinou, por meio da Decisão Normativa nº 216/2025, que conselhos profissionais — a exemplo do Creci-PB — disponibilizem em seus sites informações detalhadas sobre número de profissionais e empresas com registro ativo, fiscalizações realizadas, autos de infração, denúncias recebidas, processos instaurados e julgados, sanções aplicadas e valores gastos com fiscalização.
A medida amplia a transparência, com harmonia direta com o mercado imobiliário, que depende de dados públicos claros para orientar investimentos, regularidade profissional e confiança nas relações contratuais.