Os produtores de cana-de-açúcar do Nordeste brasileiro enfrentam, nos últimos anos, um cenário cada vez mais desafiador no campo. A escassez de mão de obra, somada às características da topografia regional — marcada por áreas com muitos declives e morros — tem dificultado a adoção da mecanização tradicional do corte da cana, exigindo soluções mais adaptadas à realidade local. Nesse contexto, uma nova tecnologia começa a ganhar espaço no mercado brasileiro e surge como alternativa viável para os fornecedores de cana da região. Trata-se da FM WORLD 4GD-1, uma máquina produzida pela fabricante FM WORLD, na China, desenvolvida especialmente para operar na colheita de cana, com menor custo operacional.
De acordo com o presidente da União Nordestina dos Produtores de Cana-de-açúcar (Unida) e vice-presidente da Associação dos Plantadores de Cana da Paraíba (Asplan), Pedro Campos Neto, o equipamento se apresenta como um modelo ideal para o perfil da produção nordestina. Ele adquiriu uma unidade da colhedora, cuja chegada está prevista para a próxima semana, e destaca as diferenças em relação às colhedoras convencionais. “A colhedora tradicional corta a cana e joga no transbordo, que depois descarrega no caminhão. Para isso, o fornecedor precisa mudar todo o sistema de transporte, saindo dos caminhões de carroceria aberta para carrocerias fechadas, além de investir em reboque, caminhão-pipa e caminhão oficina para acompanhar a operação”, explica.
Segundo o dirigente canavieiro, a FM WORLD 4GD-1 elimina grande parte dessas exigências. “Com essa máquina, não muda nada na estrutura de transporte já existente e não há necessidade de caminhão-pipa. Isso faz uma enorme diferença no custo para o produtor, principalmente num momento destes que atravessamos agora”, afirma Pedro Campos Neto, lembrando que, em breve, a Asplan e Unida realizarão um Dia de Campo para apresentação do equipamento.
Enquanto uma colhedora convencional pode custar em torno de R$ 2,5 milhões, a FM WORLD 4GD-1 chega ao mercado brasileiro com valor aproximado de R$ 350 mil, tornando-se mais acessível aos fornecedores independentes, com prazo de entrega de quatro a seis meses. Além disso, o equipamento opera em áreas com inclinação de até 22 graus e tem capacidade de colher entre 15 e 20 toneladas de cana por hora, desempenho considerado satisfatório para propriedades de pequeno e médio porte.
A introdução da máquina no Brasil é fruto do trabalho da FC Trading, que, após visita à fábrica da FM WORLD na China, passou a ampliar a importação do modelo para o mercado nacional. A empresa já realizou a importação e comercialização de unidades para fornecedores de cana-de-açúcar, cooperativas e usinas do Nordeste. “Atualmente, duas máquinas estão em fase final de montagem, com entrega prevista ainda para esta última semana de janeiro. Na próxima segunda-feira, outras duas unidades serão descarregadas no país, com previsão de entrega na semana seguinte. Há ainda novos equipamentos já embarcados, que serão entregues gradualmente à medida que chegarem ao Brasil”, afirma o diretor executi8vo da empresa, Danilo Albuquerque.
Segundo ele, o objetivo da FC Trading, é apoiar os produtores para que a safra 2026/2027 seja melhor aproveitada, oferecendo uma solução tecnológica capaz de minimizar os impactos da falta de mão de obra e dos desafios históricos do setor sucroenergético nordestino. “Nosso compromisso é conectar o agro brasileiro às melhores soluções do mercado internacional, trazendo tecnologia importada que realmente faça sentido para a realidade do produtor”, reforça o executivo.
Com custo reduzido, adaptação à topografia regional e menor exigência de mudanças estruturais, a FM WORLD 4GD-1 desponta como uma alternativa promissora para modernizar a colheita da cana no Nordeste e garantir mais competitividade aos produtores da região.