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“Projeto Laços que Cuidam” transforma rotina de acompanhantes na hemodiálise do Hospital São Vicente

“Projeto Laços que Cuidam” transforma rotina de acompanhantes na hemodiálise do Hospital São Vicente

O Hospital São Vicente de Paulo (HSVP), gerido pelo Instituto Walfredo Guedes Pereira (IWGP), implantou um projeto inovador voltado aos acompanhantes de pacientes em hemodiálise, com foco no fortalecimento emocional, social e educativo durante as longas horas de tratamento. A iniciativa já impacta diretamente cerca de 150 pacientes atendidos diariamente pela unidade — considerada a primeira referência estadual em hemodiálise — e seus acompanhantes, que permanecem até quatro horas no setor, distribuídos em três turnos.

Criado para minimizar ansiedade, ociosidade e sobrecarga emocional, o “Projeto Laços que Cuidam” promove atividades como costura, crochê, pintura, rodas de conversa, alongamento e práticas terapêuticas sensoriais, transformando o ambiente hospitalar em um espaço de acolhimento e reconstrução de vínculos.

“A máquina não é sentença de morte, é oportunidade de vida”

A acompanhante Andréa Soares Pereira de Souza, que há quatro anos vivencia a rotina da hemodiálise ao lado do esposo, relata que o início foi marcado por medo, insegurança e dificuldade de adaptação.

Segundo ela, a aceitação do tratamento foi um processo gradual, que exigiu apoio psicológico e ressignificação da rotina. “No começo não foi fácil. Ele não aceitava, tinha dificuldade com o horário, com a máquina… mas a gente foi trabalhando isso juntos, um dia de cada vez,” disse.

Com o tempo, a estratégia de trazer normalidade ao cotidiano fez diferença. Andréa passou a estimular o companheiro a manter uma rotina ativa, inclusive associando o tratamento a uma nova fase de trabalho. “Eu dizia: esse é o teu novo trabalho. E fomos vivendo assim, com leveza. Hoje temos uma vida normal, com passeios, aniversários, viagens,” lembrou.

Ela destaca ainda o impacto emocional positivo do projeto dentro do hospital:

“A máquina não é uma sentença de morte. Ao contrário, é o que dá qualidade de vida. E essas atividades aqui ajudam a gente a entender isso, a ficar bem para também cuidar deles,” destacou.

Saúde emocional e informação reduzem ansiedade

A assistente social do setor, Josy Trajano explicou que o projeto surgiu da necessidade de acolher os acompanhantes, que muitas vezes chegam ao serviço fragilizados, desinformados e emocionalmente sobrecarregados.

De acordo com ela, no início havia resistência e até dificuldades de convivência entre os próprios acompanhantes. “Existiam grupos isolados, pouca interação. Antes de tudo, foi preciso promover união”, relata.

A partir de dinâmicas, rodas de conversa e atividades coletivas, o cenário foi se transformando. “Hoje eles se reconhecem como grupo, como rede de apoio. Criamos vínculos. Eles chegam perguntando o que vão fazer no dia. Isso é muito significativo,” disse.

Além do acolhimento emocional, o projeto também atua como ferramenta de educação em saúde. As rodas de conversa com profissionais — como assistente social, psicóloga e médica — ajudam a esclarecer dúvidas e reduzir o medo do tratamento.

De ociosidade à produção e renda

Outro destaque da iniciativa é o estímulo à autonomia e ao aprendizado. Muitos acompanhantes passaram a desenvolver habilidades manuais, como costura e crochê, e já planejam produzir peças para exposição e venda. Andréa é uma delas. “Na segunda ou terceira aula eu já estava na máquina. Hoje tenho vontade de ter a minha”, contou.

As atividades também contribuem para a saúde física. Com práticas de alongamento e exercícios, acompanhantes relatam melhora na mobilidade e no equilíbrio.

Cuidado que ultrapassa o paciente

Mais do que ocupar o tempo, o projeto ressignifica a experiência dentro da hemodiálise. Para quem acompanha de perto a rotina intensa — que começa ainda de madrugada e envolve horas de espera e tensão —, o acolhimento faz diferença.

“A gente chega aqui muitas vezes ferido, cansado, com medo. E essas atividades ajudam a gente a se reencontrar. A lembrar que também estamos vivos”, resumiu Andréa.

A assistente social reforça: o cuidado com o acompanhante reflete diretamente no paciente. “Quando o familiar está bem, ele transmite segurança. Isso impacta no tratamento,” destacou.

Impacto direto

  • Cerca de 150 pacientes atendidos por dia
  • Funcionamento em três turnos
  • Até 4 horas de permanência por sessão
  • Participação média de 10 a 20 acompanhantes por turno nas atividades
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