Skip to content Skip to footer

Pesquisadores propõem moeda local fotovoltaica com uso de tecnologia blockchain para comunidades vulneráveis

Pesquisadores propõem moeda local fotovoltaica com uso de tecnologia blockchain para comunidades vulneráveis

Projeto também pretende disseminar energia limpa, combater pobreza energética e promover formação técnica em comunidades de baixa renda

Um projeto de pesquisa desenvolvido no Centro de Energias Alternativas e Renováveis (CEAR) propõe conectar usinas fotovoltaicas instaladas em comunidades vulneráveis a bancos comunitários para produzir moedas locais, utilizando a tecnologia blockchain. Os pesquisadores envolvidos pretendem criar uma moeda comunitária fotovoltaica tendo como objetivos principais combater a pobreza energética, contribuir com a economia local, ampliar o acesso à energia limpa e promover a formação técnica de profissionais da própria comunidade. O projeto-piloto beneficiará os moradores da Comunidade São Rafael (João Pessoa, PB). 

A ideia é dimensionar uma usina fotovoltaica, ou seja, um sistema de energia solar capaz de atender às demandas residenciais de eletricidade e gerar excedentes de energia para o banco comunitário, que contribuirá para a geração de riqueza e desenvolvimento do território no qual está inserido. 

A pesquisa, que une inovação tecnológica e economia solidária, foi aprovada na Chamada Universal 2024 do CNPQ/MCTI (Nº 44/2024 – Faixa B – Grupos Consolidados). Integram o projeto por parte do CEAR os professores José Felix da Silva Neto, do Departamento de Engenharia de Energias Renováveis, e Thamyres Tamulla Cavalcante Palito, do Departamento de Engenharia Elétrica, os colaboradores representantes da comunidade Katiucha Maria da Cunha Gomes e Daniel Pereira dos Santos, além de pesquisadores de outras universidades e instituições: Eduardo Diniz, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), coordenador geral do projeto; Fernando Burgos Pimentel dos Santos, também da FGV; Luiz Arthur Silva de Faria, da Universidade Federal do Rio de Janeiro-UFRJ; e Ester Barinaga Martin, da Lund University, da Suécia. 

Inicialmente, o projeto tem forte motivação sustentável. O aumento constante da emissão de gases de efeito estufa, decorrente principalmente das atividades humanas no setor de transportes e de geração de energia, está relacionado à ocorrência cada vez mais constante de eventos climáticos extremos ocasionados pelas mudanças climáticas no planeta. Assim, investir em ampliar o acesso à energia limpa e renovável como a solar pode contribuir para redução e emissão de gases que afetam o clima. 

Além disso, o projeto busca identificar os níveis de privação de energia elétrica e suas causas, bem como combater a carência das comunidades vulneráveis em relação ao uso desse bem, o qual propicia uma melhor condição de vida na medida em que possibilita o acesso a meios de refrigeração para acondicionamento de alimentos e climatização adequada para um melhor conforto térmico das pessoas. 

Desse modo, a implementação de usinas fotovoltaicas comunitárias tem se mostrado uma estratégia eficaz no combate à pobreza energética, ou seja, a privação ou baixo acesso a serviços energéticos por comunidades vulneráveis, especialmente em comunidades rurais e de baixa renda. De forma que esse tipo de iniciativa não apenas fornece acesso sustentável à energia, mas também promove o desenvolvimento socioeconômico local. Com aemissão de uma moeda local, estimula-se o consumo na comunidade e reduz-se a fuga de capital, fortalecendo pequenos negócios e incentivando redes de solidariedade. De forma sucinta, a usina solar gera energia, que é jogada na rede, e os créditos de energia serão compartilhados entre os moradores e o banco comunitário. Para facilitar esse processo, o estudo prevê a implementação de um sistema de contabilidade em blockchain. 

Segundo os pesquisadores, para que esse tipo de projeto se consolide, é preciso envolver as comunidades em todas as etapas do processo, desde a instalação até a operação e manutenção, possibilitando a qualificação técnica de moradores da comunidade, capacitando a força de trabalho, e gerando com isso oportunidades de emprego. 

Coordenador do projeto de extensão do CEAR denominado Sou Sustentável, o qual tem como intuito a democratização do acesso às energias renováveis e atua na comunidade São Rafael, o professor José Felix da Silva Neto explicou esse projeto de pesquisa surgiu a partir da observação de possibilidades de coisas novas que podem ser testadas para desenvolver uma localidade, e esclareceu a motivação do projeto de pesquisa face à constatação da realidade das comunidades. 

“O que me incomodou – e ainda me incomoda – é que nós vemos, todo ano, o balanço energético nacional, com o Brasil crescendo na geração de energia solar, energia eólica, mas, na ponta, quem consome está pagando caro do mesmo jeito, não muda a lógica. Cresce a geração, mas para o consumidor final não muda em nada. Isso faz com que muita gente ainda hoje não consiga comprar um gás de cozinha, tenha sua conta de energia atrasada, muitas vezes tenha o corte de energia em sua casa, e essa realidade nas comunidades é o que mais tem. E dentro do contexto das energias renováveis, em que estamos inseridos na universidade, como podemos pensar algo que na ponta isso mude? Então percebemos que essa forma de organização pode fazer uma diferença para o consumidor final”, explicou o professor José Felix da Silva Neto. 

Mostrar comentáriosFechar comentários

Deixe seu comentário

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.