No meio do caminho tinha uma pedra. Na minha caminhada desta manhã, à beira-mar, entre o finado Hotel Tambaú e o Mercado de Peixe, o verso eterno de Carlos Drummond de Andrade ganhou outra imagem. No meio do caminho havia um barco. Ou melhor, dois.
Ali, próximo à Colônia de Pescadores e Aquicultores Z-3 “André Vital de Negreiros”, fundada nos anos 1950 e entre as mais tradicionais da orla de João Pessoa, as embarcações repousam como testemunhas silenciosas do tempo, do mar e das histórias de quem dele vive, mas ao redor delas também se acumulam sinais de abandono: destroços, entulhos e até a carcaça de uma geladeira.
A cena carrega uma beleza melancólica. Como no poema de Drummond, o que está no meio do caminho não passa despercebido. Fica na memória. Faz pensar. E nos lembra que a paisagem mais bonita também pede cuidado, respeito e atenção.
Cândido Nóbrega