Quem chega a João Pessoa para morar vem mudando a conta do mercado de aluguel. A procura de pessoas vindas de outros estados elevou os preços dos imóveis residenciais e, segundo o especialista Anchieta Ribeiro, mantém aquecida a locação anual, sobretudo de apartamentos de dois quartos, com maior rapidez e procura constante.
“Subiu bastante. O valor de aluguel hoje está sendo cobrado pelo valor de mercado que se pratica na área, a procura é grande, a demanda é boa, se aluga todo mês, todo dia, toda semana se aluga dois ou três imóveis. Anunciando, mantemos o valor, na hora do fechamento ou da procura da pessoa, não alteramos”, afirmou.
Segundo ele, a tendência é de valorização do aluguel e não por causa de lets e lofts que estão sendo construídos – cuja procura é por que vem por temporada – mas porque a cidade está recebendo muitos moradores que vêm de fora, de outros estados, é muito acolhedora e recebe muito bem as pessoas: “Isso é bom para nós, porque o aluguel se valoriza”, acrescentou.
Imóveis para morar ou investir?
Com 32 anos de atuação no setor, Anchieta também identifica uma divisão cada vez mais nítida entre os imóveis comprados para moradia e aqueles lançados para gerar renda ao investidor. A diferença aparece na geografia dos lançamentos.
Tem locais em que estão construindo para rentabilidade, a exemplo do Jardim Oceania e da orla de Manaíra, Tambaú e Bessa, diferente do Parque Paraíba, que concentra empreendimentos mais direcionados à moradia: “É diferente de quem compra para morar e depois se muda e aluga o imóvel que comprou, daí por que os compactos não substituem os imóveis destinados aos contratos anuais”.
Valorização não ocorre de maneira uniforme
O Altiplano foi exemplificado como um bairro onde o preço dos imóveis chegou a um nível que torna o aluguel inacessível. Em Manaíra e Tambaú, ele considera os valores mais administráveis. Para quem vive da renda imobiliária, a avaliação é favorável: os aluguéis estão mais valorizados e o retorno para o proprietário melhorou. A projeção dele para os próximos dois ou três anos também é de continuidade da valorização, impulsionada principalmente pela chegada de novos moradores de outras partes do país.
“Se a pessoa tiver um imóvel em outro estado ou outra cidade e vendeu, é melhor ela comprar, mas se ela não tiver, é melhor alugar, porque o aluguel está bem acessível hoje”, disse.
O home office também ampliou desde a pandemia da Covid-19, a busca por locação de imóveis residenciais, enquanto plataformas de temporada, como Airbnb e Booking, não “mexeram em nada” com o segmento em que atua, pois não é o seu caso, que atua com locação anual com contrato anual.
“Aluguel consignado”
Outro movimento pode alterar as relações entre proprietários e inquilinos. A Câmara dos Deputados aprovou ontem a possibilidade de desconto em folha para pagamento de aluguel residencial, limitado a 30% da remuneração disponível. O consignado poderá ter mais de um locatário como garantia, respeitado o limite individual de cada um, e só será suspenso mediante apresentação da rescisão do contrato de locação assinada pelo proprietário (Projeto de Lei 462/11).
Para Anchieta, a medida será boa para todos porque reduz o risco para o proprietário e facilita a contratação para quem chega a uma nova cidade sem fiador. Sobre taxa de condomínio, ele disse que sempre pesa na hora da negociação. “O proprietário sabe que tem aquela taxa de condomínio, que é basicamente um valor a mais que se tem que pagar todo mês, então isso já está ajustado nos valores dos aluguéis”, concluiu.
Cândido Nóbrega