Aos sábados, cerca de 430 crianças de seis meses a cinco anos ocupam amplas salas da Escola Estadual de Música Anthenor Navarro (EEMAN) no Espaço Cultural, em João Pessoa, para aprender música. A procura crescente fez o projeto adotar inscrição e sorteio público de vagas, enquanto a frequência é tratada com rigor diante do número limitado de vagas. A partir dos seis anos, os alunos passam a frequentar as atividades durante a semana, em turmas distribuídas entre manhã e tarde.
Por trás dos números há um trabalho que exige presença, preparo e atenção a cada faixa etária. São 17 professores em seis salas, com turmas de até 15 crianças de até dois anos, acompanhadas por responsáveis, e 20 alunos nas classes de três a cinco anos. Faltas por problemas de saúde podem ser justificadas mediante atestado ou declaração do responsável, mas outras ausências não recebem o mesmo tratamento. Sábado passado foi uma exceção, pois muitas delas foram a outras escolas em homenagens ao Dia dos Pais.
Interesse das famílias cresceu principalmente pelo “boca-a-boca”
Pais contam a experiência para amigos e parentes, e novas crianças chegam sem que o projeto precise de ampla divulgação. “A procura, porém, há anos ultrapassa a quantidade de vagas disponíveis. Hoje são 24 turmas, contra 20 anteriormente, e a equipe reconhece que seria possível acolher mais crianças se houvesse condições para ampliar a estrutura e o quadro de profissionais”, afirma a professora, musicista e arquiteta, Nadya Araújo.
A expansão encontra obstáculos na contratação e na disponibilidade de professores com formação musical, mas que tenham o perfil adequado para trabalhar com crianças pequenas. Muitos profissionais são prestadores de serviço do Estado. O projeto também começou com professores voluntários e, gradualmente, conseguiu viabilizar a prestação de serviços. Para Nadya, ampliar o atendimento continua sendo um desejo, mas exige profissionais especializados e condições para manter a qualidade das aulas.
História de luta e de conquistas
Ela trabalha na EEMAN desde 1981 e foi uma das fundadoras do projeto de musicalização infantil. A iniciativa nasceu na UFPB, em 2010, mas enfrentou dificuldades de logística até ser transferida para a EEMAN, onde funciona desde 2015. Nádia lembra que chegou a encontrar salas sem condições adequadas, com problemas de limpeza, ar-condicionado e manutenção elétrica, e que muitas vezes os próprios integrantes precisavam preparar os espaços antes das aulas.
Em 2017, aposentou-se das atividades regulares e permaneceu dedicada ao projeto de musicalização infantil, levando para ele uma trajetória construída com flauta doce e flauta transversal, teoria musical e ensino de crianças, adolescentes e adultos. Uma pequena grande mulher que tive a honra de conhecer pessoalmente, que mantém o mesmo entusiasmo do início de tudo.
Cândido Nóbrega