O episódio ocorreu na calçada da Rua Caetano Filgueiras, três onde árvores públicas foram submetidas a cortes severos. O caso se junta a outros registros recentes na capital, incluindo podas agressivas, mutilações, transplantes questionáveis e anelamentos com o material perfuro-cortante concertina.
Galhos e folhas ressecados permanecem espalhados pela via, enquanto a retirada de grande parte da estrutura vegetal compromete a saúde das árvores, a arborização urbana e e funções essenciais ao ecossistema.
O aspecto do material vegetal indica que a intervenção ocorreu há vários dias e, aparentemente, não se relaciona a uma situação emergencial. Entre as hipóteses que justificariam poda ou supressão estão risco de queda, danos a estruturas, obstrução de vias e outras situações previstas nas normas municipais de João Pessoa. Pragas como pulgões, cochonilhas, percevejos, lagartas e ácaros, por sua vez, podem ser controladas por métodos e produtos de origem orgânica ou natural.
Quarto registro público em menos de 30 dias
A sequência inclui casos em Tambaú, além de anelamentos com concertina nos bairros do Portal do Sol e Jardim Cidade Universitária.
Além do dano ambiental, a instalação de concertina ao alcance de pessoas e animais cria risco de acidentes graves, especialmente para idosos, crianças e pessoas com deficiência visual. O contato pode provocar cortes profundos, hemorragias, lesões e cegueira, enquanto, em animais, sobretudo durante a noite, o material pode funcionar como armadilha. Quando presa ao tronco, a estrutura ainda pode estrangular a árvore e sufocar a vegetação, atingindo um bem público para proteger um patrimônio privado.
Perda árborea e patrimônio ambiental
A situação também precisa ser observada diante da perda de cobertura arbórea registrada em João Pessoa. Dados do Censo 2022 mostram que 53,2% dos moradores viviam em vias com pelo menos uma árvore, percentual inferior aos 66% registrados no Brasil, colocando a Capital paraibana na 17ª posição entre as capitais. Qual cidade queremos construir e que patrimônio ambiental estamos deixando para as próximas gerações? É a pergunta que não quer calar.
Cândido Nóbrega