Em 31 de agosto de 2024, enquanto o defensor público paraibano enfrentava uma cirurgia cardíaca e sem que soubesse, nascia Maria Rita, sua primeira neta. A coincidência, descoberta posteriormente, tornou a data ainda mais especial.
Quando se encontrava no centro cirúrgico, com o peito aberto e o coração sob os cuidados da equipe médica, uma nova vida começava na família.
Em bela crônica que tive o privilégio de receber dele na última segunda-feira (31) por ocasião dos dois anos completados da cirurgia, Fábio revisita aquele momento e compartilha uma reflexão marcada pela fé, pela gratidão e pelo valor da família.
“Eu recebia um coração novo. E ela chegava com um coração novinho, começando a bater para a vida”, escreveu, o primo “rico”, como costumo chamar, sobretudo pelo DNA de inteligência da família Nóbrega de Santa Luzia e Região que carrega e afinidades literárias e culturais que temos.
Mais bênçãos divinas
Sete meses depois, a família cresceu novamente com o nascimento de Maitê, a pequena Têtê. Mais recentemente, chegou Livinha, lembra emocionado e com carinho. As três netas passaram a ocupar um lugar central nessa nova fase de sua vida e, na crônica, representam a continuidade da família e os vínculos entre gerações.
“A cirurgia renovou meu coração. Maria Rita renovou meus motivos para fazê-lo bater”, resume Fábio.
A cicatriz no peito, segundo ele, tornou-se uma lembrança permanente da fragilidade da vida e, sobretudo, do valor do tempo. Mais do que uma marca física, passou a lembrá-lo da importância de estar perto de quem ama, acompanhar os filhos, brincar com as netas e aproveitar cada oportunidade de convivência.
“Deus, naquele dia, não me devolveu simplesmente a vida. Devolveu-me tempo”, afirma.
É esse tempo que Fábio deseja continuar compartilhando com a mulher, Zélia, os filhos Antônio Fábio, Glauber e Iara Maria, as netas, genros, noras, familiares e amigos.
Em uma das passagens mais emocionantes, ele pede a Deus mais 40 anos. Não por medo da morte, mas pelo desejo de acompanhar o crescimento das netas, conhecer novas gerações e continuar ao lado das pessoas que ama.
Olhar para a frente na estrada da vida
Aos dois anos da cirurgia, Fábio prefere olhar para a frente. Reconhece os muitos quilômetros já percorridos, as alegrias, perdas, conquistas e dificuldades, mas afirma que ainda há estrada pela frente.
E talvez essa seja a síntese de sua reflexão: a vida ganhou outro valor quando ele percebeu que tempo não é apenas aquilo que passa, mas aquilo que podemos compartilhar com quem amamos.
Ao concluir a crônica, Fábio agradece a Deus pela vida, pela família e pela oportunidade de continuar sua caminhada: “A vida me deu uma segunda chance, e eu quero vivê-la inteira”.
E essa foto nossa de 2023 mostra que, contrariando as leis da natureza, continuamos mais jovens.
Cândido Nóbrega