Com 67 anos de idade e metade da vida dedicada à profissão, Valdomiro Silva – que também é perito e avaliador judicial – não considera exagero essa proporção no município localizado no litoral Sul da Paraíba a apenas 21 Km de João Pessoa. Segundo ele, são muitos os “bicudos” – como são conhecidos os ilegais no mercado imobiliário – aplicando golpes impunemente, e relata:
“Todo mundo que você conversa… ‘Eu tenho um terreno para vender, eu tenho uma casa para vender’. Ah, é sua, tem escritura? ‘Não, é do amigo meu’. É sempre essa conversa, né? É assim também em Jacumã, Carapibus e Coqueirinho. Fui colocar uma placa lá dentro de uma casa, aí chega um senhor chega e fala: ‘Estou com essa casa aí, é de um amigo meu e mais duas ali também. Foi meu amigo’. Perguntei: Como é que tem tanta casa? É captador de imóvel? ‘Não, é porque é “conhecimento’ (?)”.
Prostituição de comissão e do mercado
Valdomiro não se conteve e considerou a realidade uma prostituição tão grande, tão grande, por parte dos construtores, de um dos quais até ele foi recentemente vítima ao vender um imóvel novo por 4% de comissão e o trâmite da documentação por parte da empresa.
“Lógico que eu ia aceitar os 4% porque ele já tem tudo lá no seu escritório. A minha comissão dava 16 mil e pouco. Quando foi me pagar, ele simplesmente depositou oito mil reais e falou, ‘não, é porque eu esqueci que eu tinha que pagar a comissão do pessoal do escritório’. Falei, mas rapaz, nós fizemos, cadê o documento que eu assinei aí? Pior que de boa-fé eu não tinha pegado cópia”.
“Chapéu” de “bicudo”
Para o veterano corretor, a questão envolve o corretor, o falso corretor e o vendedor, principalmente o vendedor (“o bicho”). E conta que na semana passada, ele e a colega dona da imobiliária “tomaram um chapéu” de um “bicudo” após pagarem por limpeza pesada de um imóvel que estava fechado há mais de um ano: “Nunca me sujeitei a receber comissão de 1,5%, 2%, mas está cheio de gente entrando, recebendo e achando que está abafando. Enquanto continuar assim vai desvalorizar o mercado e a profissão”.
Anuidade cara
Valdomiro desabafa que a anuidade está muito cara mesmo e diz que por ter parcelado em janeiro passado acabou pagando R$ 1.200, valor superior aos pagos por médicos e advogados que têm nível superior e desabafou, indignado:
“A gente paga para ser fiscalizado, por que o conselho não tá nem aí para os ilegais, mas se o profissional passar 15 dias com a anuidade atrasada, eles passam na sua porta, vão passar pelos plantões para ver se te encontram por lá para saber qual é o motivo, é dessa forma mesmo”.
Cândido Nóbrega