Alunos da Escola Cidadã Integral Técnica (ECIT) Otávia Silveira, em Mogeiro, conquistaram uma vaga entre os 30 semifinalistas da 13ª edição do Solve for Tomorrow Brasil com o projeto CisternSentinel: IoT no combate ao Aedes aegypti em cisternas do Semiárido. A iniciativa propõe o monitoramento inteligente de reservatórios de água para auxiliar na prevenção de focos do mosquito transmissor da dengue, zika e chikungunya.
A ideia surgiu a partir de uma realidade observada pelos próprios estudantes. Localizada a cerca de 30 metros da sala de aula, uma cisterna utilizada pela escola apresentava condições favoráveis à proliferação do mosquito. A observação levou o grupo a investigar como a tecnologia poderia contribuir para o monitoramento desses reservatórios, especialmente em uma região onde o armazenamento de água é essencial para a população.
A solução desenvolvida consiste em um sistema baseado em Internet das Coisas (IoT), capaz de monitorar diferentes variáveis da cisterna em tempo real. O protótipo utiliza sensores para acompanhar informações como nível da água, incidência de luminosidade e vedação da tampa do reservatório, enviando dados para uma plataforma digital de monitoramento.
Um desafio para todo o município
O tema tem impacto direto na realidade de Mogeiro, município do interior da Paraíba localizado a cerca de 90 quilômetros de João Pessoa. Com população de aproximadamente 14 mil habitantes, a cidade reúne diversas comunidades rurais onde as cisternas desempenham papel fundamental no armazenamento de água. Durante períodos de chuva, o acesso a algumas localidades pode ficar comprometido, dificultando o trabalho de monitoramento realizado pelos agentes de combate às endemias.
Segundo o professor e orientador do projeto, Suênio da Silva Alves, a proposta busca fornecer informações em tempo real para apoiar a tomada de decisão dos agentes de combate às endemias.
“Hoje o município conta com cerca de 10 agentes para monitorar aproximadamente 1.500 cisternas. Em muitos casos, as inspeções acontecem em intervalos de três meses ou mais. Com o sistema, eles poderão identificar quais reservatórios exigem atenção imediata e priorizar as visitas”, explica.
Além de indicar quais reservatórios demandam atenção, a solução foi projetada para registrar ocorrências que possam favorecer a proliferação do mosquito, como tampas abertas ou outras alterações identificadas pelos sensores instalados nas cisternas.
De foco de dengue a cisterna piloto
O que antes era visto pelos estudantes como um potencial foco de proliferação do mosquito se transformou em uma unidade piloto para desenvolvimento e validação da tecnologia.
A cisterna que motivou o projeto passou a ser utilizada para testar o funcionamento dos sensores, coletar dados e avaliar a eficiência do sistema em condições reais de uso. O desenvolvimento da solução conta com apoio da Fundação de Apoio à Pesquisa do Estado da Paraíba (FAPESQ), além da colaboração de agentes de combate às endemias e especialistas que acompanham a equipe durante a jornada do programa.
Ciência que mobiliza a comunidade
A repercussão do projeto já ultrapassou os limites da escola. Durante a inauguração da cisterna piloto, mais de 500 pessoas participaram do evento, incluindo representantes da comunidade e do poder público.
Para Suênio, o interesse despertado pelo projeto demonstra como a ciência pode contribuir para solucionar desafios reais enfrentados pela população local. O professor acredita que a experiência também evidencia o impacto da abordagem STEM no ambiente escolar e no desenvolvimento dos estudantes.
“Em 13 anos de escola, eu nunca tinha visto uma mobilização como essa. É uma oportunidade histórica para nossa escola e para toda a região. A educação abre caminhos e cria oportunidades para que os estudantes cresçam e se desenvolvam. Ver esse engajamento dos alunos e da comunidade é algo que eu nunca tinha presenciado em todos esses anos de trabalho”, conclui.
Próximos passos
Atualmente, a equipe realiza testes de campo para validar o funcionamento da solução em condições reais de uso. O sistema mantém um histórico das informações coletadas e permite acompanhar em tempo real quais reservatórios demandam atenção.
Entre as próximas etapas está a implementação de alertas automáticos para cisternas que permaneçam abertas por mais de dez minutos, ampliando a capacidade preventiva da ferramenta. Outro diferencial é o custo estimado de implantação. Segundo a equipe, cada unidade pode ser montada por aproximadamente R$ 216, o que favorece a replicação da tecnologia em outras cisternas da região.
Para Ryan Felinto, estudante integrante da equipe, a motivação vai além do desenvolvimento tecnológico. “Estamos ajudando comunidades remotas que muitas vezes ficam isoladas e têm dificuldade de acesso. É uma forma de levar mais segurança para essas pessoas”, afirma.
O que é o Solve for Tomorrow Brasil?
O Solve for Tomorrow Brasil é o programa global de Cidadania Corporativa da Samsung que incentiva estudantes do Ensino Médio de escolas públicas a desenvolver soluções inovadoras para desafios reais, com base na abordagem STEM. Entre os destaques da iniciativa estão:
· Educação com impacto real: estudantes desenvolvem soluções para desafios identificados em suas comunidades
· Abordagem STEM: integração de ciência, tecnologia, engenharia e matemática na prática
· Aprendizagem Baseada em Projetos (PBL): foco em protagonismo, criatividade e trabalho em equipe
· Mentorias e capacitação: apoio de especialistas ao longo de toda a jornada
O Solve for Tomorrow Brasil chega a 13ª edição com crescimento1 de 7,7% no número de projetos inscritos em comparação ao 2025. Além do aumento no volume de propostas, a edição de 2026 apresentou avanços significativos no que diz respeito à diversidade dos participantes, com aumento de 11% na participação feminina (considerando estudantes mulheres), além da ampliação de 3% no número de escolas quilombolas e instituições localizadas em áreas rurais.
Qual é o impacto do Solve for Tomorrow Brasil?
O Solve for Tomorrow já alcançou mais de 442 mil alunos e professores de escolas públicas em 21 países da América Latina, promovendo experiências de aprendizagem prática, colaboração e desenvolvimento de competências essenciais para o futuro. A edição brasileira conta com a coordenação geral do Cenpec e o apoio de parceiros institucionais comprometidos com o fortalecimento da educação pública e da inovação.
Calendário Solve for Tomorrow Brasil 2026
· 17 de agosto a 02 de outubro: Mentoria para as equipes semifinalistas
· 16 de outubro: anúncio dos 10 finalistas do Solve for Tomorrow Brasil 2026
· 19 de outubro a 27 de novembro: Mentoria para as equipes finalistas
· 23 de novembro: abertura da votação pelo Júri Popular
· 8 de dezembro: anúncio dos vencedores por categoria
Essas e outras informações sobre o Solve for Tomorrow Brasil estão disponíveis no site oficial do programa e na Samsung Newsroom Brasil.