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Empresários do setor imobiliário avaliam impactos do fim da escala 6×1 sobre equipes, jornada de trabalho e atendimento

Empresários do setor imobiliário avaliam impactos do fim da escala 6×1 sobre equipes, jornada de trabalho e atendimento

O fim da escala de trabalho 6×1 e a redução gradual da jornada semanal máxima de 44 para 40 horas, sem corte salarial, exigirão ajustes nas empresas do mercado imobiliário, especialmente na organização das equipes e no atendimento aos clientes aos sábados. Aprovada ontem pelo Senado, a Proposta de Emenda à Constituição prevê dois dias de descanso remunerado e transição para o novo limite de jornada.

Para Waldemir Lopes Júnior, empresário do ramo imobiliário e da construção civil, o rodízio de funcionários é uma alternativa para manter o escritório aberto aos sábados pela manhã, com possibilidade de ampliar o expediente conforme a demanda. Ele afirma que buscará orientação contábil para adaptar a operação e observa que os corretores associados autônomos já trabalham com maior flexibilidade, o que tende a limitar os efeitos sobre esse grupo. “Eu enxergo que talvez a solução seja essa, na minha operação, que funcionaria, assim”, avaliou.

Atendimento sábado e domingo exige organização das equipes

Na Lopes e Andrade Escritório Imobiliário, a área administrativa reúne cerca de 14 funcionários contratados pela CLT, além de dois profissionais em processo de seleção. Já os corretores atuam como associados autônomos. Segundo ele, o atendimento aos sábados é uma demanda dos clientes, e a relação flexível com os parceiros permite organizar os plantões sem alterar significativamente a rotina dos corretores.

Outro experiente empresário do setor imobiliário e também advogado, Joel Borges, que trabalha com uma equipe de mais de 50 corretores associados, considera que a proposta poderia ter sido mais discutida antes da aprovação. “Eu acho que dava para melhorar um pouco mais, o momento seria esse, que estaria a direita, a esquerda e todo mundo de acordo, mas como existia a pressa por conta da eleição, teve que ser assim”, afirmou.

“Nós já adotávamos mais ou menos essa jornada aqui há muitos anos, porque o expediente sempre foi de segunda a sexta. Aí no sábado adotamos um plantão de quatro horas de corretores de imóveis associados/autônomos. Então os corretores que vêm, que não têm vínculo, na verdade, são autônomos, eles é que vêm. Quando há necessidade pontual de um funcionário trabalhar no sábado, paga-se hora extra, o que minimiza impacto na rotina habitual”, acrescentou.

Ele aponta indefinições sobre situações como múltiplos vínculos de emprego e escalas 12 x 36 e prevê que o Congresso volte a discutir o texto em 2027 e entende que as lacunas da PEC poderão exigir mudanças legislativas, inclusive com derrubada de eventual veto. E projeta ainda um aumento no uso de contratos de trabalho intermitente para atender, sobretudo, a demandas sazonais, como as de fim de ano. Waldemir, por sua vez, pretende não questionar a decisão que considera democrática e adequar a escala à realidade da empresa, preservando o atendimento comercial.

As avaliações de ambos que há décadas atuam na Zona Sul da cidade refletem estratégias distintas diante da transição para a jornada de 40 horas, cuja implementação dependerá da promulgação da emenda e do cumprimento dos prazos previstos no texto.

Cândido Nóbrega

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