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Violência contra médicos dispara na Paraíba e motiva criação de Observatório

Violência contra médicos dispara na Paraíba e motiva criação de Observatório

Oito em cada dez médicos paraibanos foram vítimas de violência verbal no exercício da profissão, revelam dados de pesquisa realizada pelo CRM-PB que contrastam com o cenário nacional, onde mais de 4,5 mil boletins de ocorrência por crimes cometidos dentro de unidades de saúde foram registrados somente em 2024.

Com o objetivo de combater essa realidade de risco e impunidade, o órgão criou o Observatório da Violência contra o Médico, voltado ao registro, análise de fatores de risco e articulação direta com os órgãos públicos de segurança e justiça para garantir proteção efetiva à categoria.

A apresentação da ferramenta, dos objetivos e o funcionamento, que permitirá registrar e analisar ocorrências de violência, identificar situações e fatores de risco e produzir informações para subsidiar ações de prevenção, proteção aos médicos e articulação com órgãos públicos e outras instituições, ocorrerá às 8h30 da próxima segunda-feira (19) na sede do Conselho, em João Pessoa.

Na ocasião, será prestada homenagem à médica ginecologista e obstetra Maria Emília Fernandes Vieira, assassinada durante seu exercício profissional, no PAM de Jaguaribe.

Outra pesquisa sobre saúde e o bem-estar dos médicos

Emn entrevista que me concedeu há dois anos, o presidente Bruno Leandro afirmou que o órgão realizaria uma outra pesquisa, abrangente, coordenada pela professora e ex-reitora da UFPB, Margareth Diniz, com o objetivo de traçar um diagnóstico completo das áreas críticas que afetam a saúde e o bem-estar dos médicos.

O levantamento visava mapear problemas como distúrbios do sono, endividamento e instabilidade financeira decorrentes de padrões de vida desajustados e jornadas exaustivas, fornecendo dados essenciais para guiar ações baseadas em evidências e direcionar intervenções específicas pelo órgão.

A iniciativa integraria os esforços do CRM-PB para enfrentar um cenário alarmante na categoria, marcado por pressões extremas, altas taxas de Burnout — cinco vezes superiores —, aumento nos divórcios e um risco de suicídio três vezes maior em comparação a outras profissões, agravado pela resistência dos profissionais em buscar ajuda.

Cândido Nóbrega

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