A redução do tempo semanal de trabalho deverá elevar os custos operacionais das construtoras e exigir mudanças na organização dos canteiros de obras, avalia o diretor comercial da construtora Gafema.
Segundo ele, embora o setor tenha condições de se adaptar, o impacto será expressivo e atingirá muitas empresas, já que a indústria da construção movimenta uma ampla cadeia produtiva, que interage com mais de 90 outros setores.
A diminuição das horas trabalhadas exigirá a reorganização das equipes para manter os prazos das obras. Ovídio lembra que, embora muitas empresas já adotem a escala 5×2, a mudança terá repercussões financeiras nos canteiros.
Ainda sem um modelo definido para reorganizar os horários dos operários, ele entende que a diversidade de atividades e etapas da construção exige soluções negociadas. Ele acredita que o Sinduscon-JP e o Sintricom poderão construir uma convenção coletiva capaz de contemplar as diferentes necessidades das empresas e dos trabalhadores, inclusive nas fases de acabamento, quando o cumprimento dos cronogramas exige coordenação das equipes.
Para o empresário, a mudança também poderá estimular ganhos de eficiência e ajudar a enfrentar a escassez de profissionais qualificados. “Invariavelmente esta mudança trará uma aceleração na qualificação da mão de obra, na busca de novas ferramentas para otimizar o trabalho, e a busca de soluções industrializadas”, afirma. A adaptação, portanto, deverá envolver qualificação profissional, novas tecnologias e maior industrialização dos processos construtivos, sem perder de vista os custos e os prazos de entrega.
Impactos da PEC na construção civil
Fim da escala 6×1 deve acelerar qualificação e industrialização na construção civil, diz Ovídio Maribondo
A redução do tempo semanal de trabalho deverá elevar os custos operacionais das construtoras e exigir mudanças na organização dos canteiros de obras, avalia o diretor comercial da construtora Gafema.
Segundo ele, embora o setor tenha condições de se adaptar, o impacto será expressivo e atingirá muitas empresas, já que a indústria da construção movimenta uma ampla cadeia produtiva, que interage com mais de 90 outros setores.
A diminuição das horas trabalhadas exigirá a reorganização das equipes para manter os prazos das obras. Ovídio lembra que, embora muitas empresas já adotem a escala 5×2, a mudança terá repercussões financeiras nos canteiros.
Ainda sem um modelo definido para reorganizar os horários dos operários, ele entende que a diversidade de atividades e etapas da construção exige soluções negociadas. Ele acredita que o Sinduscon-JP e o Sintricom poderão construir uma convenção coletiva capaz de contemplar as diferentes necessidades das empresas e dos trabalhadores, inclusive nas fases de acabamento, quando o cumprimento dos cronogramas exige coordenação das equipes.
Para o empresário, a mudança também poderá estimular ganhos de eficiência e ajudar a enfrentar a escassez de profissionais qualificados. “Invariavelmente esta mudança trará uma aceleração na qualificação da mão de obra, na busca de novas ferramentas para otimizar o trabalho, e a busca de soluções industrializadas”, afirma. A adaptação, portanto, deverá envolver qualificação profissional, novas tecnologias e maior industrialização dos processos construtivos, sem perder de vista os custos e os prazos de entrega.
Impactos da PEC na construção civil
A proposta aprovada pelo Senado prevê o fim da escala 6 × 1, com dois dias de descanso remunerado por semana, preferencialmente um deles aos domingos, e a redução gradual da jornada de trabalho, sem diminuição dos salários. Pelo cronograma previsto, o limite semanal cairia de 44 para 42 horas, 60 dias após a promulgação, e chegaria a 40 horas 12 meses depois. Na construção civil, onde muitas obras já funcionam de segunda a sexta-feira, a principal mudança poderá ser a redução das horas trabalhadas, e não dos dias de expediente.
A redução da jornada pode diminuir o cansaço dos trabalhadores, contribuir para prevenir acidentes e reduzir erros que geram desperdício de materiais e retrabalho. Por outro lado, como os salários seriam mantidos, o custo da hora trabalhada aumentaria cerca de 4,8% na primeira etapa e 10% quando a jornada chegasse a 40 horas semanais. Isso não significa, porém, que construir um imóvel ficará automaticamente 10% mais caro, pois o efeito dependerá dos gastos com mão de obra, da produtividade das equipes e da necessidade de contratar mais profissionais para cumprir os prazos.
Estimativas da CBIC
Apontam que o setor poderá precisar de até 288 mil trabalhadores adicionais, com custo anual de R$ 13,5 bilhões para compensar a redução das horas trabalhadas. Esses números são projeções, e o impacto dependerá da capacidade de cada empresa de reorganizar equipes e cronogramas. Pequenas construtoras podem enfrentar mais dificuldades para absorver os custos, enquanto empresas com melhor planejamento e processos mais eficientes podem se adaptar com maior facilidade. O desafio será garantir mais descanso e segurança aos trabalhadores sem comprometer a produtividade nem elevar desnecessariamente os custos das obras.
Cândido Nóbrega