Liquidação extrajudicial, insolvência reconhecida e acionamento do Fundo Garantidor de Créditos. Esses foram os termos objetivos da decisão administrativa que levou o Banco Central do Brasil a decretar o encerramento das atividades da Will Financeira S.A. Crédito, Financiamento e Investimento, instituição controlada pelo Banco Master Múltiplo S/A. A medida põe fim ao Regime Especial de Administração Temporária (RAET) imposto desde novembro de 2025, quando o próprio Master foi submetido à liquidação.
A autoridade monetária explicou que o RAET foi inicialmente adotado por se mostrar compatível com o interesse público, diante da possibilidade de preservação da controlada. Essa alternativa se esgotou após o descumprimento da grade de pagamentos da Will Financeira no arranjo Mastercard, episódio que culminou no bloqueio da instituição no sistema administrado pela Mastercard Brasil Soluções de Pagamentos Ltda.. O evento, registrado segunda-feira, comprometeu a continuidade operacional e acelerou a intervenção definitiva.
Fragilidades estruturais
No comunicado oficial, o Banco Central apontou como fundamentos da liquidação o comprometimento da situação econômico-financeira, a insolvência da Will Financeira e o vínculo societário direto com o Banco Master, já sob liquidação extrajudicial. Com isso, foi acionado o Fundo Garantidor de Créditos, que assegura ressarcimento de até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ e por instituição financeira, observado o limite global de R$ 1 milhão a cada quatro anos. Valores superiores investidos no conglomerado Master não serão cobertos, ressalvada a proteção de CDBs emitidos antes da incorporação da Will pelo banco controlador.
O episódio revela fragilidades estruturais no modelo de negócios do grupo, que, embora representasse apenas 0,57% do ativo total e 0,55% das captações do Sistema Financeiro Nacional, concentrou riscos em ativos de baixa liquidez, como precatórios e créditos tributários federais. Esses títulos, dependentes de cronogramas orçamentários e decisões administrativas, eram registrados a valor de custo amortizado, com base em laudos, pressupondo recebimento integral apesar das incertezas inerentes. A estratégia, pouco usual no sistema financeiro e associada à cobertura do FGC, acabou por expor riscos que culminaram na liquidação da Will Financeira.