Quem percorre a Avenida Epitácio Pessoa percebe a mudança – para pior – na paisagem urbana. Postes de iluminação pública passaram a exibir grandes faixas de casa de apostas, repetidas em sequência nos bairros de Cabo Branco, Tambaú e Manaíra. Além da poluição visual, a publicidade ostensiva transforma grandes corredores em vitrines permanentes do jogo, com efeitos severos do vício em apostas, com impacto direto sobre adolescentes e jovens.
Endividamento extremo, colapso financeiro de famílias, transtornos psicológicos e registros de suicídios associados à dependência se tornaram uma realidade crescente. Ainda assim, o governo federal optou por legalizar esses jogos, assegurando sua parte do dinheiro na arrecadação e empurrando para a sociedade o custo humano dessa escolha.
Nesse mercado sob críticas está a VaideBet, que também frequenta as páginas policiais, num setor que cresce em velocidade maior do que os mecanismos de controle estatal, em meio a publicidade considerada abusiva, fragilidade da fiscalização e falhas no dever de proteção ao consumidor.
Permissividade institucional
Enquanto isso, a “Queridinha do Nordeste” – que se tornou convergência de turistas, novos moradores e investidores – assiste à naturalização da propaganda de apostas em espaços públicos estratégicos, sem reação proporcional do poder público. A permissividade institucional contrasta com alertas técnicos e sanitários, num momento em que especialistas defendem limites rigorosos à publicidade e políticas efetivas de prevenção. O debate urgente não é apenas urbano ou econômico, mas de saúde pública, proteção da juventude e responsabilidade do Estado.
Segundo informações que obtive junto à Secretaria de Desenvolvimento Urbano de João Pessoa – que também tem responsabilidade legal – nenhuma multa foi aplicada em 2024, nem mesmo contra infratores reincidentes. A ausência de punição representa perda de arrecadação para os cofres municipais e incentivas a repetição das infrações.