Há períodos em que o debate sobre desenvolvimento deixa de ser abstrato e passa a exigir escolhas concretas. O início de 2026 encontra o Brasil diante desse ponto de inflexão. Tensões geopolíticas, desaceleração da economia global e disputas tecnológicas pressionam países que abriram mão do planejamento estratégico. Para o presidente do Clube de Engenharia do Brasil, esse é precisamente o momento em que defender a Engenharia significa proteger o futuro nacional.
A advertência não é retórica. Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados mostram que a Engenharia e a construção civil seguem entre os principais vetores do emprego formal no país, com milhões de vínculos ativos e forte capacidade de absorção de mão de obra qualificada. Quando políticas públicas e investimentos estruturantes se retraem, o impacto recai diretamente sobre o trabalho, a renda e a soberania produtiva.
Para Bogossian, ignorar esse elo é aceitar a perda de protagonismo econômico. Com trajetória marcada pela liderança institucional — da presidência do Clube de Engenharia à condução da Academia Nacional de Engenharia —, ele sustenta que a Engenharia brasileira sempre ocupou papel central nos ciclos de desenvolvimento.
Fator decisivo
A defesa da capacidade técnica nacional, do planejamento de longo prazo e do interesse público não é corporativismo, mas condição para que o país volte a crescer com base em conhecimento, infraestrutura e inovação. Nesse sentido, a unidade das entidades profissionais surge como fator decisivo para enfrentar desafios que superam agendas individuais.
O chamado, portanto, é claro. Ao conclamar o sistema profissional, incluindo o CREA-RJ, Bogossian propõe que a Engenharia reassuma, de forma organizada, seu compromisso histórico com o Brasil. Em um mundo instável, fortalecer o trabalho técnico, preservar empregos formais e colocar o saber a serviço da sociedade não é apenas uma escolha setorial, é uma estratégia de país.
Cândido Nóbrega