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Do sonho à prática: Ilha Tech apresenta metodologia para criação de projetos de impacto

Do sonho à prática: Ilha Tech apresenta metodologia para criação de projetos de impacto

Vivência em João Pessoa reúne estudantes, empreendedores e pesquisadores em torno do planejamento colaborativo e do desenvolvimento regenerativo

Estudantes, empreendedores e pesquisadores se reuniram no Ilha Tech, hub de inovação da Paraíba, em João Pessoa, para compreender, na prática, como uma ideia individual pode ganhar estrutura e se transformar em um projeto de impacto. Promovida pela Associação Ilha Tech na segunda-feira (24), com apoio do Instituto de Cidadania Social da Paraíba (ICSPB), a vivência “Tudo Começa com um Sonho – Dragon Dreaming e Design de Projetos Regenerativos” apresentou metodologias de planejamento, escuta e construção coletiva.

Sentados em círculo, os participantes compartilharam experiências, interesses e ideias que desejam transformar em iniciativas concretas. O encontro também reuniu estagiários, profissionais e lideranças interessados em inovação, cultura, sustentabilidade, impacto social e desenvolvimento de projetos.

A condução foi de Gerson Abrantes, head de Impacto do Ilha Tech, produtor cultural, fundador da Parahybólica Cultural e coordenador do Casarão Criativo. Antes de apresentar ferramentas, etapas ou conceitos de planejamento, ele chamou a atenção para o ponto de partida de qualquer iniciativa: a pessoa que imagina uma transformação possível.

“Antes do projeto existe a pessoa. Todo projeto nasce de um indivíduo. Alguém teve uma ideia, teve um sonho. Antes do projeto vem o sonho”, afirmou.

Fundado em 2023, o Ilha Tech conecta startups, empresas, organizações sociais, instituições de ensino e representantes do poder público em programas e iniciativas relacionados à inovação, ao empreendedorismo, à formação profissional e ao impacto social.

“Criamos o Ilha Tech para aproximar pessoas e transformar boas ideias em projetos de impacto. Essa vivência mostra como isso acontece na prática”, afirmou Ruy Dantas, fundador e CEO do Ilha Tech.

Ao promover a atividade, o hub levou a discussão para além das ferramentas tradicionais de gestão. O encontro abordou as pessoas que constroem um projeto, as relações desenvolvidas durante o processo e as transformações que uma iniciativa pode provocar nos envolvidos, na comunidade e no território.

Do sonho à construção coletiva

A vivência apresentou os fundamentos do Dragon Dreaming, metodologia colaborativa organizada em quatro movimentos: sonhar, planejar, realizar e celebrar. As etapas não formam uma sequência rígida. Elas integram um ciclo e podem ser retomadas sempre que um projeto precisa rever seus objetivos, reorganizar o caminho ou incorporar novas contribuições.

“O Dragon Dreaming é uma filosofia de trabalho que convida a gente a sonhar, planejar, realizar e celebrar projetos em conjunto. É também um método de planejamento em que conseguimos reunir uma equipe em torno de um propósito, dividir o trabalho e criar uma visão ampla daquele projeto”, explicou Gerson Abrantes.

Na prática, a metodologia propõe que uma ideia individual seja compartilhada com outras pessoas. Ao receber diferentes experiências, conhecimentos e expectativas, o projeto deixa de representar apenas o sonho de quem o imaginou inicialmente e passa a ser construído coletivamente.

O nome Dragon Dreaming reúne duas ideias centrais da metodologia. O sonho representa a visão que dá origem a um projeto e pode se tornar um propósito compartilhado pelo grupo. Já o dragão simboliza os medos e desafios encontrados durante o percurso, mas também a força necessária para enfrentá-los, sair da zona de conforto e transformar o sonho em ação.

Antes de abordar metas, tarefas ou resultados, Gerson conduziu uma reflexão sobre presença e escuta. A pergunta apresentada ao grupo era simples: quando alguém fala, estamos realmente ouvindo ou apenas esperando o momento de responder?

“Será que eu estou realmente presente? Será que estou ali naquele momento escutando ou já estou divagando? Minha cabeça é igual a um TikTok: se não vier uma coisa boa nos próximos três segundos, eu já vou para outro pensamento”, comentou. “A gente precisa aprender a lidar com isso.”

A discussão saiu do campo teórico quando os participantes foram convidados a se levantar, afastar as cadeiras e caminhar pela sala. A proposta era imaginar uma feira de rua e ocupar o espaço sem deixar áreas vazias.

O exercício teatral trabalhou atenção, improvisação, percepção do ambiente e colaboração. Cada movimento individual interferia no conjunto e exigia que os participantes observassem não apenas o próprio caminho, mas também o comportamento das outras pessoas. A dinâmica mostrou como decisões aparentemente isoladas podem afetar o desenvolvimento de um projeto.

Na sequência, o grupo foi provocado a refletir sobre o que realmente transforma uma ideia em um projeto. Entre as respostas, surgiram expressões como “transformar um sonho em algo real” e “planejar uma trajetória”. As contribuições conduziram a discussão para além do cronograma ou de uma lista de tarefas.

Na abordagem apresentada por Gerson, um projeto é um percurso que reúne pessoas em torno de um propósito, organiza conhecimentos e recursos, orienta decisões e transforma uma intenção em ação. Seu valor não está apenas no produto, serviço ou resultado entregue, mas também nos aprendizados, nas relações e nas mudanças produzidas durante o processo.

Planejar, nessa perspectiva, não significa prever todos os passos ou seguir um caminho imutável. À medida que novas pessoas, circunstâncias e desafios surgem, o projeto pode precisar retornar ao sonho inicial, rever escolhas e reorganizar sua forma de realização.

“Projetos não são linhas retas. Eles são ciclos, eles se renovam. Compreender que um projeto é um ciclo e é sistêmico já é o começo para entender o que é um projeto”, pontuou.

Entre as participantes estava Caiuh, pesquisadora e designer. Ela chegou ao encontro conhecendo o design regenerativo principalmente pela teoria. Também já havia ouvido falar do Dragon Dreaming, mas ainda não tinha experimentado a metodologia de maneira coletiva.

“Foi muito lindo estar aqui. Quando a gente dá nome para algumas coisas, fica mais fácil não se perder nos nossos pensamentos, nos nossos sonhos e nas nossas vontades. Falando das quatro etapas, eu sou maravilhosa no sonhar e no planejar e travo drasticamente no realizar. Foi muito bom ver o processo todo, sentir no coletivo e lembrar da força do coletivo”, relatou.

Para Caiuh, a diversidade de pessoas reunidas também esteve entre os principais resultados da experiência.

“Saio muito feliz daqui por ter conhecido tanta gente com um pensamento social tão forte, tão voltado para o meio ambiente e para o humano, e muito inspirada a continuar”, ressaltou.

A celebração, última etapa do Dragon Dreaming, também recebeu atenção durante a vivência. No método, celebrar não significa apenas realizar uma festa ou esperar pela entrega final. É reconhecer os avanços, agradecer as contribuições, avaliar os aprendizados e observar as transformações provocadas pelo processo.

“Celebrar é reunir a equipe para agradecer. É olhar para trás e reconhecer o que mudou em você e no ambiente do projeto”, detalhou Gerson.

Projetos de impacto conectados aos territórios

Segundo Gerson Abrantes, um projeto regenerativo deve observar pelo menos três dimensões: o desenvolvimento das habilidades das pessoas envolvidas, a formação de comunidades e o cuidado com o planeta. Isso exige considerar os resultados econômicos de uma iniciativa, mas também seus efeitos humanos, sociais, culturais e ambientais.

“Quando a gente está vivendo um projeto em conjunto, está formando uma comunidade”, resumiu.

A proposta dialoga com uma frente de atuação que o Ilha Tech vem ampliando ao conectar inovação a causas sociais e ao desenvolvimento dos territórios. O hub articula empresas, poder público, instituições de ensino e organizações da sociedade civil em iniciativas relacionadas à educação, à cultura, ao empreendedorismo inclusivo, à sustentabilidade, à autonomia econômica e ao protagonismo feminino.

A vivência integra as ações do Ilha Impacto, vertical conduzida por Gerson Abrantes e voltada à estruturação de projetos e à captação de recursos por meio de leis de incentivo. A área busca viabilizar iniciativas de impacto social, cultural e ambiental, conectando organizações, parceiros e oportunidades de financiamento.

A experiência de Gerson com processos colaborativos também está presente no trabalho desenvolvido no Casarão Criativo, espaço ligado à Parahybólica Cultural e localizado no Centro Histórico de João Pessoa. O local promove formações, oficinas, eventos e iniciativas relacionados à cultura, à economia criativa, à inclusão e ao desenvolvimento local.

Durante a vivência, Gerson citou a integração de estagiários do Programa Primeira Chance ao Casarão Criativo como exemplo de planejamento colaborativo. Segundo ele, reunir pessoas com diferentes trajetórias e habilidades permite que conhecimentos se complementem e que o projeto seja construído a partir da inteligência coletiva do grupo.

No Ilha Tech, as experiências compartilhadas, as perguntas e os movimentos realizados pelo grupo deram forma aos conceitos apresentados por Gerson Abrantes. Ao longo da vivência, sonhos individuais passaram a circular entre pessoas que, até aquele momento, ainda não conheciam os projetos umas das outras.

Para Gerson, criar essas conexões é parte essencial do encontro.

“É um lugar onde as pessoas se conhecem, conhecem os projetos e os sonhos umas das outras e formam uma conexão, tecendo uma grande rede de projetos regenerativos que convidam a gente a cuidar do planeta”, destacou o produtor cultural.

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