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Mitos podem interferir na amamentação

Mitos podem interferir na amamentação

Orientações sobre leite humano, retorno ao trabalho, cesárea e ganho de peso do bebê ajudam famílias a tomar decisões mais seguras

O aleitamento materno é cercado por informações que são transmitidas entre gerações, mas algumas delas não correspondem às evidências e podem contribuir para dificuldades ou até para a interrupção precoce da amamentação. Durante o “Agosto Dourado”, mês dedicado à promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno, o Hospital Universitário Lauro Wanderley (HULW), da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e vinculado à HU Brasil, esclarece dúvidas e reforça a importância de buscar orientação adequada antes de tomar decisões sobre a alimentação do bebê.

De acordo com a enfermeira Karinna Lima, supervisora da Unidade de Cuidados Intermediários Neonatais (UCIN) e do Posto de Coleta de Leite Humano do HULW-UFPB/HU Brasil, o apoio à mulher precisa ultrapassar os limites do atendimento em saúde. “As iniciativas têm o objetivo de conscientizar a sociedade sobre os benefícios do aleitamento e destacar que o apoio à mulher que amamenta deve ser um compromisso coletivo, envolvendo familiares, profissionais de saúde, empregadores e toda a sociedade”, explicou.

No HULW-UFPB/HU Brasil, o Agosto Dourado também envolveu atividades educativas voltadas a usuários, profissionais e mães de bebês internados nas unidades neonatais. Entre as ações realizadas, houve a distribuição de material educativo sobre amamentação para usuários do Ambulatório de Follow-up Neonatal, além de atividades direcionadas às mães da Unidade de Cuidados Intermediários Neonatais (UCIN) e da Unidade de Terapia Intensiva Neonatal (UTIN).

A programação integrou as ações de sensibilização realizadas durante o mês de agosto, período em que a campanha reforça a necessidade de ampliar as redes de apoio e garantir às mulheres acesso à informação e orientação qualificada para a manutenção do aleitamento.

A campanha também chama atenção para situações que exigem avaliação profissional. Quando um bebê apresenta ganho de peso insuficiente, por exemplo, a primeira conduta não deve ser automaticamente a introdução de fórmula infantil. É necessário investigar possíveis causas, avaliar a pega, o posicionamento e a frequência das mamadas e verificar outras condições que possam estar interferindo no aleitamento.

Mitos e verdades sobre o aleitamento materno

Apesar de ser um tema comum à maioria das famílias e presente todos os anos na rede pública, a questão da amamentação é cercada de dúvidas e incertezas que chegam às equipes que atuam nos bancos de leite. Confira alguns mitos e verdades esclarecidos por especialistas da HU Brasil:

Para voltar a trabalhar, a mulher deve desmamar o bebê

MITO. Ela pode ser orientada a ordenhar o leite de forma adequada e armazená-lo sob refrigeração no freezer doméstico para ser utilizado nos horários em que ela não estiver disponível.

As mamas podem ficar “empedradas” se a mulher não amamentar

EM PARTE. Ela não “empedra”. Quando o leite acumula, forma nódulos que dão essa sensação. Esse acúmulo causa desconforto nas mamas e é o que chamamos de ingurgitamento mamário. Normalmente, ocorre a apojadura, que é o limite máximo de produção de leite e acontece, em média, de três a cinco dias após o nascimento. A retirada do leite é a medida indicada para aliviar e resolver o desconforto mamário.

Cirurgias plásticas nos seios podem afetar a amamentação

VERDADE. Em alguns casos, quando há lesão dos ductos mamários, isso pode acontecer. Portanto, faz parte da anamnese obter essa informação, com acompanhamento sistemático do recém-nascido quanto à saciedade e ao ganho de peso, principalmente após a alta hospitalar.

Existe leite fraco

MITO. O leite materno nunca é fraco. A composição do leite atende às necessidades nutricionais do bebê. Mas esse mito é a principal causa de desmame globalmente.

O tamanho dos seios influencia na quantidade de leite produzido

MITO. O tamanho dos seios se deve à presença da glândula mamária, de gorduras e de outras estruturas. Portanto, mamas pequenas ou grandes não são fatores determinantes do volume produzido.

Quem fez cesárea deve esperar um tempo para amamentar

MITO. O recém-nascido em boas condições pode ser levado ao seio logo após o nascimento. Com a sucção, vai determinando a produção.

Mesmo gripada, a mãe deve manter a amamentação

VERDADE. Quando a mãe é infectada por um vírus respiratório, como o da gripe, seu sistema imunológico produz anticorpos específicos (IgA secretora) que são transferidos diretamente ao bebê pelo leite humano, protegendo-o contra a infecção ou atenuando seus sintomas. Devem ser mantidos os seguintes cuidados: a mãe deve praticar a higienização frequente das mãos e, se desejar, utilizar máscara facial durante a mamada para reduzir o contágio por gotículas respiratórias.

O HIV passa de mãe para filho

VERDADE. O vírus HIV pode ser transmitido via leite materno (transmissão vertical). Por esse motivo, no Brasil, a infecção pelo HIV na mãe é uma contraindicação absoluta para a amamentação, mesmo que a carga viral esteja indetectável.

Bebê que não engorda deve receber suplementação

MITO (como primeira conduta ou regra geral). O ganho de peso insuficiente precisa de avaliação diagnóstica criteriosa antes de qualquer indicação de suplementação com fórmula infantil. Deve-se avaliar a técnica de amamentação (pega, posicionamento e frequência das mamadas, em livre demanda); verificar se o bebê tem língua presa ou se há ingurgitamento mamário na mãe; aumentar o estímulo à mama e garantir que o bebê tome o “leite do final” (rico em gordura). Caso seja estritamente necessária a complementação temporária, a primeira escolha é o próprio leite materno ordenhado. Se indisponível, recorre-se ao leite humano pasteurizado de Banco de Leite e, em última instância, à fórmula infantil, administrada preferencialmente no copinho ou na colher, evitando mamadeiras para prevenir a confusão de bicos.

Sobre a HU Brasil

O HULW-UFPB faz parte da HU Brasil desde 2013. Criada por meio da Lei nº 12.550/2011 e vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a estatal nasceu tendo como nome oficial Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh). É responsável pela administração de 47 hospitais universitários federais em 25 unidades da federação.

24/08/2026

Com Unidade de Comunicação Regional 8
Hospital Universitário Lauro Wanderley

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