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Moradores do Brisamar dependem de carros-pipa para ter água nas torneiras

Moradores do Brisamar dependem de carros-pipa para ter água nas torneiras

Além dos transtornos, a recorrente falta d’água no bairro de classe média alta, em João Pessoa, tem pesado nas despesas de condomínios residenciais – alguns com mais de 100 unidades – obrigados a contratar carros-pipa com 20 mil litros a um custo que inicialmente girava entre R$ 400 a R$ 450, mas que devido à alta demanda também por outros bairros, como o Altiplano, inflacionou para R$ 600.

“Recentemente, isso representou uma despesa que chegou a R$ 10 mil e já chegamos a necessitar de três caminhões em um único dia, daí por que buscaremos o reembolso do valor ou compensação na conta d’água junto à Cagepa”, afirmou um síndico. Segundo ele, a infraestrutura de saneamento da cidade é sistemicamente inadequada, manifestando-se em falhas crônicas de abastecimento de água e descarte ilegal de esgoto.

Carro-pipa com água da Cagepa

O colapso geraria situações como essa: enquanto a concessionária paradoxalmente lucra com a venda para os carros-pipa dessa mesma água de suas Estações de Tratamento de Água (ETA) para solucionar a crise que ela não consegue gerir, fica criado um ciclo onde a Companhia se beneficia da sua própria deficiência no serviço de distribuição.

Para outro morador da área, a situação é agravada por uma combinação de crescimento urbano desordenado, falta de galerias pluviais e uma rede de esgoto subdimensionada: “O problema não é uma falha pontual, mas um modelo operacional ‘quebrado’ onde a concessionária falha em sua obrigação primária, cria um mercado secundário para mitigar sua própria ineficiência e transfere o ônus financeiro e de saúde pública para os residentes”.

E como fica quem não pode pagar por um carro pipa? No bairro do Cristo, na zona oeste da Capital, moradores já chegaram a ficar até 7 dias sem água.

Causas raiz do colapso da infraestrutura

Tem ainda quem defenda que o caso seja levado à Promotoria do Meio Ambiente, por entender que o problema transcende o abastecimento, revelando deficiências estruturais profundas na gestão urbana e de saneamento.

“A cidade não possui galerias de águas pluviais. Isso leva ao descarte irregular de “águas servidas” (lavagem de piscinas, etc.) nas ruas e à sobrecarga da rede de esgoto, que não foi projetada para receber esse volume. A Cagepa proíbe a ligação pluvial à sua rede por falta de capacidade”, declarou um condômino.

Vale lembrar que a responsabilidade pelo sistema de águas pluviais é da Prefeitura. E tecnicamente não há como comprometer as galerias pluviais com outras cargas.

Poço artesiano

Seria uma alternativa, no entanto, em áreas servidas pela rede pública, o uso é restrito e frequentemente considerado ilegal pelo Superior Tribunal de Justiça se for apenas para economia financeira. A perfuração sem autorização é considerada um “gato”.

A Companhia de Água e Esgotos da Paraíba tem justificado as constantes faltas d’água na cidade, à realização de obras de modernização do sistema, troca de equipamentos, instalação de novos sistemas de controle, automação de redes e manutenções técnicas no sistema de abastecimento.

Cândido Nóbrega

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