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“Nem o capeta quer, para não ter concorrência”: corretora denuncia falta de ética no mercado imobiliário da PB

“Nem o capeta quer, para não ter concorrência”: corretora denuncia falta de ética no mercado imobiliário da PB

“Que nossa classe se una pra combater esse tipo de situação que vem tanto de clientes, como de colegas de profissão com mau caráter e sem nenhuma ética. Que pregam amor nas redes sociais e no particular são uns cão. Conheço alguns que nem o capeta quer lá com ele para não ter concorrência”, desabafou a corretora de imóveis Mayra Braz, que atua em João Pessoa.

Postada nas redes sociais, ela deu voz a um problema cada vez mais comum no mercado imobiliário paraibano, marcado pela convivência entre profissionais que se apresentam como colegas, mas que, no particular, agem com deslealdade e sem nenhum compromisso ético.

Mayra também chamou atenção para o esforço que cada negociação exige: tempo de agenda, combustível, planejamento e conhecimento técnico, somados a uma dedicação que começa muito antes da assinatura do contrato. Esse investimento costuma ser descartado quando compradores e vendedores, depois de usufruírem de todo o atendimento, fecham negócio pelas costas de quem tornou a aproximação possível.

A Paraíba conta hoje com mais de 20 mil corretores de imóveis inscritos no Creci-PB e somente este ano mais de mil novos nomes entraram no mercado, número muito expressivo para uma profissão cuja exigência mínima de escolaridade é o ensino médio, com formação concluída em cursos de curta duração.

Impunidade e aviltamento de honorários

Esse crescimento acelerado tem como contrapartida, segundo relatos da própria categoria, práticas como as chamadas “pernadas”, golpes aplicados por corretores contra os próprios colegas, além de comissões que em alguns negócios não passam de 1%, patamar pago por construtoras e aceito por corretores que recorrem a intermediários para fechar a venda de qualquer forma.

A corretora de imóveis Alice Lima, que atua em Santa Rita, atribui parte do problema aos cursos de Técnico em Transações Imobiliárias, que exigem apenas o ensino médio para ingresso. “Não preparam para nada, muito menos quanto à ética, respeito e honestidade”, afirma ela, que vê na frequente entrada diária de novos profissionais despreparados um agravante para os problemas de conduta já existentes. Para ela, o conselho trata as irregularidades com tolerância e dedica mais atenção à arrecadação das anuidades, hoje fixadas em R$ 918,00, do que à fiscalização ética da categoria.

A corretora de imóveis Regina Estrela, conselheira e delegada do órgão na cidade de Sousa, também vê como no crescimento desordenado de novos corretores uma das causas da crise de ética e disse que construtoras também recorrem a intermediários para reduzir a remuneração de quem conduz a venda, repetindo, numa escala menor, o padrão identificado na capital.

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