A evolução recente do mercado imobiliário de João Pessoa passou a despertar a atenção de alguns dos mais relevantes fóruns de negócios do setor no país. Essa leitura ficou evidente na última quinta-feira (11), durante o GRI Residencial Brasil 2026, realizado em São Paulo, quando a capital paraibana foi tema de um painel exclusivo dentro de um dos encontros mais influentes do mercado brasileiro de real estate. O debate reuniu investidores, incorporadores e executivos para discutir uma questão que começa a ganhar força nacionalmente: estaria João Pessoa consolidando um novo polo premium no Nordeste?
Promovido pelo GRI Institute, o encontro reuniu incorporadores, investidores, gestores de capital, instituições financeiras e lideranças empresariais responsáveis por decisões relevantes no mercado residencial brasileiro. Em sua 11ª edição, o evento abordou temas como urbanização inteligente, inovação tecnológica, funding, novos produtos imobiliários, ESG e expansão de mercados regionais, consolidando-se como um dos principais ambientes de relacionamento e formulação de tendências do setor.
Dentro dessa agenda, João Pessoa ganhou uma sala dedicada exclusivamente à discussão de seu momento imobiliário. Sob o tema “João Pessoa High-End Movement – Vemos a formação de um novo polo premium?”, o painel reuniu Alisson Holanda, CEO da NHolanda, André Penazzi, CEO do Setai Grupo GP, e Marcelo Fam Gondim, diretor executivo da Alliance, com mediação de Ricardo Telles, presidente da Damha Urbanizadora.
A discussão partiu de uma pergunta simples, mas estratégica para o setor: quais fatores explicam a crescente atenção que João Pessoa passou a receber dentro do mercado imobiliário brasileiro?
Ao longo do debate, Alisson Holanda defendeu que a transformação da cidade resulta da combinação entre planejamento, qualidade urbana e potencial de crescimento. “A Universidade Federal tinha uma missão, em 1970, no plano diretor, de desenvolver a região. João Pessoa teve bons marcadores urbanos desde então, e agora o eixo que divide a cidade entre norte e sul se abriu para um novo ciclo de desenvolvimento ordenado”, afirmou.
O executivo também destacou que a construção de valor no mercado imobiliário passa, cada vez mais, pela qualidade do território e pela visão de longo prazo dos investimentos. “Você é o primeiro investidor do projeto, o primeiro que acredita. Tem que pensar no que vai valer mais no futuro: a casa é uma commodity cujo custo tende a cair com a tecnologia; o que valoriza é o local — qualidade de vida, verde, cultura, identidade.”
Entre os exemplos apresentados durante o painel esteve o Polo Turístico Cabo Branco, considerado um dos principais vetores de transformação econômica da capital paraibana. O projeto prevê investimentos bilionários, milhares de novos leitos hoteleiros e uma expansão significativa da capacidade turística da cidade, ampliando sua inserção no mercado nacional e internacional.
Outro tema abordado por Alisson foi a necessidade de uma visão integrada para o desenvolvimento regional. “Eu estou numa missão agora que não é nem de João Pessoa, é vender o Nordeste, até porque a capital paraibana sai ganhando sempre. Nosso verão é mais caro que o inverno europeu; a gente tem que se unir para transformar a região”.
A participação conjunta de executivos de três das incorporadoras mais atuantes da capital paraibana ofereceu ao público do GRI uma visão abrangente sobre as transformações que vêm ocorrendo em João Pessoa, tanto sob a ótica do produto imobiliário quanto do planejamento urbano, da atração de investimentos e da evolução do perfil de consumo.
Ao dedicar uma sala inteira à discussão sobre João Pessoa, o GRI Residencial Brasil sinalizou uma mudança de percepção que começa a se consolidar entre investidores e desenvolvedores. A cidade passou a ser observada não somente pelos indicadores recentes de valorização imobiliária, mas também pela combinação entre qualidade urbana, capacidade de expansão, turismo estruturado e potencial de longo prazo, atributos que vêm ampliando sua relevância nas discussões nacionais sobre o futuro do mercado residencial.
Outro aspecto que chamou atenção durante o encontro foi a convergência de discurso entre os representantes das empresas paraibanas presentes no painel. Em vez de uma abordagem centrada em empreendimentos específicos, a discussão foi conduzida a partir de uma visão compartilhada sobre o desenvolvimento da cidade e da região, destacando atributos e todo o potencial de João Pessoa e da Paraíba.
Segundo relatos de participantes que acompanharam a discussão, a sintonia entre os painelistas foi percebida como um sinal de maturidade do mercado local. A mensagem predominante foi a de que a construção de um destino forte e competitivo depende de um esforço coletivo, capaz de posicionar João Pessoa e o Nordeste de forma mais consistente no radar nacional de investimentos, turismo e desenvolvimento imobiliário.