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Projeto do CEAR propõe robótica e programação como ferramentas de ensino para alunos da rede pública

Projeto do CEAR propõe robótica e programação como ferramentas de ensino para alunos da rede pública

Um projeto de extensão desenvolvido pelo Centro de Energias Alternativas e Renováveis (CEAR) da UFPB, aprovado no Edital Probex 2025/2026, propõe um novo método de aprendizagem para os alunos e professores de escolas da rede pública da Paraíba: usar robótica educacional e programação como ferramentas de ensino. O intuito do projeto de extensão da UFPB é promover entre os alunos o desenvolvimento criativo e o interesse pela tecnologia, além de proporcionar a interação de docentes e estudantes do Ensino Médio com a Universidade. 

Egresso da ECI Professor Paulo Freire, o estudante Pedro Henrique Silva dos Santos, recém-aprovado em 1º lugar para o curso de Engenharia Elétrica do Instituto Federal da Paraíba (IFPB), já tinha interesse pela área de engenharia elétrica, mas conta que passou a gostar ainda mais depois de realizar um curso no PROBEM – Programação e Robótica no Ensino Médio, no segundo ano do ensino médio. 

Com edições aprovadas desde 2019, o PROBEM – Programação e Robótica no Ensino Médio: Aplicação do Conceito da Robótica Educativa na Formação Complementar dos Alunos e Professores do Ensino Médio é um projeto que tem entre suas ações a preparação e a realização de cursos de robótica básica, destinados aos alunos e professores das escolas da rede pública estadual da cidade de João Pessoa. As atividades desenvolvidas na ação têm como característica a interdisciplinaridade: envolvem conteúdos de matemática, física, programação, robótica e eletrônica básica. Isso contribui para a formação complementar dos alunos das escolas da rede pública e incentiva seu interesse pelas carreiras tecnológicas. 

Neste ano de 2026, o projeto visa capacitar os alunos da rede pública estadual para participação na Olimpíada Brasileira de Robótica (OBR), integrando conhecimentos de eletrônica básica, programação e aplicação prática de sensores. 

Atualmente, o projeto tem parceria com três escolas estaduais: em João Pessoa, o Colégio ECI Professor Paulo Freire; e na cidade de Bayeux, ECI Irineu Pinto e ECIT Escritor Horácio de Almeida. 

De acordo com o professor do Departamento de Engenharia Elétrica do CEAR Nady Rocha, coordenador do projeto, o êxito do ensino de robótica nas escolas da rede pública depende do envolvimento dessas instituições, sobretudo, de profissionais capacitados para o ensino da disciplina. “Nós percebemos que muitos alunos ainda têm aversão a matemática, física e programação, mas em algumas escolas temos resultados positivos, isso depende muito do professor da escola, é quem cativa mais o aluno”, explicou o professor da UFPB. 

Também integram o projeto os professores do Departamento de Engenharia Elétrica da UFPB Ademar Virgolino e José Maurício Ramos, e os alunos extensionistas Júlia Amorim, Sérgio Soares, Douglas Gabriel da Silva, Ana Luiza da Silva, Lucas Luis Brito de Freitas, Maria Eduarda Tavares e Mikael Rocha e Silva. 

O projeto busca despertar os estudantes para a área tecnológica por meio de experimentos e exposições na área de robótica e programação, workshops interativos, minicursos, apresentações em eventos acadêmicos e aulas práticas em laboratórios. Um curso que é ofertado por meio do projeto, por exemplo, tem como foco o ensino dos conceitos de robótica e programação de maneira lúdica, utilizando a plataforma de desenvolvimento e prototipagem denominada Arduino, que apresenta uma interface de programação simples e intuitiva, em conjunto com placas de expansão desenvolvidas no projeto (Shields). Entre os protótipos desenvolvidos pelo projeto estão sistemas que simulam semáforos com acessibilidade, sensores de iluminação, dispositivos de comunicação assistiva, entre outras aplicações. 

A ideia com essa abordagem pedagógica é preencher a lacuna existente no uso da tecnologia nas escolas públicas estaduais e potencializar o aprendizado dos estudantes. O professor José Maurício Ramos destaca a importância social consistente em levar o pensamento lógico e o acesso à tecnologia para os alunos da rede estadual, contribuindo ainda para o desenvolvimento de uma área estratégica como a da inovação. 

Os resultados do projeto também evidenciam como o conhecimento tecnológico influencia o desenvolvimento dos próprios extensionistas, fornecendo ferramentas importantes para seu futuro acadêmico e preparando-os para enfrentar os desafios com mais desenvoltura. De acordo com o professor Nady Rocha, os extensionistas obtém conhecimentos tanto da área educacional quanto nas áreas de desenvolvimento e prototipação. 

Integrante do PROBEM desde 2023, o estudante de Engenharia da Computação Mikael Rocha e Silva acredita que o projeto foi fundamental para o desenvolvimento de habilidades pedagógicas e de comunicação em função da necessidade de interação com os estudantes da rede estadual. “Quando começamos a dar aula para os alunos em escolas de Ensino Médio e Fundamental, foi difícil porque eu não tinha facilidade na comunicação com os mais jovens, entre 10 e 12 anos, e há alunos que têm dificuldade em prestar atenção no conteúdo. Então, tive que aprender como transmitir o conhecimento para esse público mais jovem”, contou. 

Já a ex-integrante do PROBEM e estudante do 2º período de Engenharia Elétrica Ester Leal desenvolveu um dispositivo de comunicação não verbal para autistas. Ela explica que o PROBEM oferece suporte aos alunos ingressantes que necessitam de apoio, sobretudo no início do curso, auxiliando na aplicação prática da teoria. “O PROBEM desperta em nós esse interesse na área de tecnologia e Robótica, que geralmente não é tão acessível”, comentou. 

Também ex-integrante da equipe de extensionistas, a estudante Elisabeth da Silva Morais afirma ter adquirido conhecimento técnico e pessoal ao longo da sua participação no projeto, no entanto, o mais gratificante foi a experiência nas escolas. “Ver os alunos empenhados, curiosos e interessados no conteúdo foi extremamente motivador. Além disso, dar aulas contribuiu muito para o meu desenvolvimento pessoal, especialmente na superação do medo de falar em público”.  

Texto: Aline Lins – CEAR

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