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Referência nacional em IA aplicada à saúde, Gláucio Nóbrega lança lança livro sobre inteligência artificial na gastroenterologia 

Referência nacional em IA aplicada à saúde, Gláucio Nóbrega lança lança livro sobre inteligência artificial na gastroenterologia 

A inteligência artificial (IA) já deixou de ser uma promessa para se tornar uma realidade cada vez mais presente na prática médica. Dos sistemas de apoio ao diagnóstico às ferramentas capazes de acelerar a atualização científica e auxiliar na tomada de decisões clínicas, a tecnologia vem transformando a maneira como médicos se atualizam, analisam informações e tomam decisões na prática clínica.

Entre os profissionais brasileiros que participam ativamente dessa transformação está o gastroenterologista paraibano Gláucio Nóbrega. Integrante da Comissão de Inteligência Artificial em Medicina do Conselho Federal de Medicina (CFM) e um dos especialistas envolvidos na construção da Resolução nº 2.454/2026, considerada o primeiro marco regulatório brasileiro dedicado exclusivamente ao uso da IA na medicina, o especialista lançou ontem, dia 16 de junho, a obra “Inteligência Artificial para Gastroenterologistas – Dos Conceitos à Aplicação Clínica”.

O lançamento virtual aconteceu às 19h30 e marca a chegada de uma publicação que reúne alguns dos principais especialistas do país para apresentar aplicações práticas da inteligência artificial na gastroenterologia e demonstrar como essas ferramentas já contribuem para diagnósticos, atualização científica e tomada de decisões clínicas mais precisas. A publicação está entre as primeiras obras brasileiras dedicadas exclusivamente à aplicação da inteligência artificial na gastroenterologia, reunindo diferentes especialidades para abordar o tema sob uma perspectiva clínica, científica e ética.

“A gastroenterologia está, assim como as demais especialidades médicas, entrando em uma nova era. Primeiro, é importante entender que a IA não veio para substituir o conhecimento médico, mas, principalmente, para ampliar nossa capacidade de análise, acelerar a atualização científica e apoiar decisões clínicas cada vez mais precisas em favor dos pacientes. Este livro nasceu justamente da necessidade de preparar e orientar os especialistas para essa transformação que já está em curso”, afirma Gláucio Nóbrega.

Especialista em Inteligência Artificial pela Universidade Mackenzie de São Paulo, Gestor em Saúde, Membro Titular da Federação Brasileira de Gastroenterologia e fellow da American Gastroenterological Association (AGA), uma das mais importantes associações de gastroenterologia do mundo, mestre em Gastroenterologia pela Universidade Federal de Pernambuco e conselheiro do CRM-PB, Gláucio Nóbrega vem construindo nos últimos anos uma trajetória marcada pela aproximação entre medicina, tecnologia e inovação. Além de integrar a comissão nacional responsável pelas discussões regulatórias sobre IA na medicina, participou recentemente como moderador do I Fórum de Inteligência Artificial do Conselho Federal de Medicina, realizado em Brasília, conduzindo debates sobre letramento em IA e o futuro do trabalho na saúde.

Segundo ele, a obra foi estruturada em quatro grandes blocos temáticos que percorrem desde os fundamentos científicos da IA até suas aplicações clínicas mais avançadas. Os capítulos abordam temas como doenças do esôfago, patologias gástricas, intestino delgado, doenças colorretais, hepatologia, pâncreas, cirurgia robótica, imaginologia médica, telemedicina, atualização científica assistida por inteligência artificial, além de questões relacionadas à ética, segurança e regulação.

Um dos diferenciais da publicação é a participação de especialistas reconhecidos nacional e internacionalmente em diferentes áreas da medicina do aparelho digestivo. Entre os colaboradores estão nomes de grande relevância na medicina brasileira, de instituições de ensino superior respeitadas como a USP, Unicamp e a UFPB, além de conselheiros do Conselho Federal de Medicina, reforçando o caráter multidisciplinar da publicação.

Inteligência aumentada

Um dos conceitos centrais defendidos ao longo da publicação é o de “inteligência aumentada”, abordagem segundo a qual a tecnologia atua como instrumento de ampliação das capacidades humanas, sem substituir o julgamento clínico ou a autonomia médica. Na visão dos autores, a inteligência artificial deve funcionar como ferramenta de apoio à tomada de decisão, preservando a centralidade da relação médico-paciente e a responsabilidade profissional do médico.

Nesse sentido, a obra vai além de expor ferramentas digitais disponíveis; propõe uma reflexão sobre esse conceito de “inteligência aumentada”. Segundo Dr Gláucio Nóbrega, a máquina processa; o humano decide: “Esse talvez seja o princípio mais importante quando falamos de inteligência artificial na medicina. A tecnologia amplia capacidades, mas a decisão clínica continua sendo uma responsabilidade essencialmente humana.”

“Em vez de apresentar apenas novas ferramentas, o livro busca mostrar como a inteligência artificial pode ser incorporada à prática médica de forma responsável e baseada em evidências. Estamos falando de uma gastroenterologia potencializada pela tecnologia, capaz de integrar experiência clínica, conhecimento científico e análise de dados para oferecer diagnósticos mais precisos e melhores resultados para os pacientes”, destaca o especialista.

Outro aspecto destacado por Gláucio Nóbrega é que a adoção da inteligência artificial na saúde precisa caminhar lado a lado com princípios éticos, segurança de dados e capacitação profissional. Para ele, tão importante quanto desenvolver novas ferramentas é preparar médicos e demais profissionais para utilizá-las de forma consciente e responsável.

A obra também chama atenção para um aspecto aparentemente paradoxal: em um cenário cada vez mais tecnológico, competências essencialmente humanas tornam-se ainda mais relevantes. Comunicação empática, raciocínio clínico contextualizado, julgamento ético e acompanhamento individualizado dos pacientes são apontados pelos autores como atributos que permanecem insubstituíveis na prática médica.

A publicação, portanto, dedica ainda espaço relevante à discussão sobre ética, segurança, governança de dados, educação médica e novas competências profissionais, temas considerados fundamentais para que a incorporação da inteligência artificial ocorra de forma responsável e alinhada aos princípios da boa prática médica.

Nesse contexto, em que a inteligência artificial avança rapidamente sobre diferentes áreas da saúde, o livro é, de fato, uma contribuição muito relevante para médicos, pesquisadores e profissionais da saúde interessados em compreender os impactos da inteligência artificial na medicina e as oportunidades que oferece para ampliar a qualidade da assistência, da pesquisa e da educação médica.

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