Um projeto em Santos (SP) pretende corrigir a inclinação de edifícios com apoio financeiro estruturado e engenharia de alta complexidade. A proposta em desenvolvimento reúne a Prefeitura de Santos e a Associação dos Condomínios dos Prédios Inclinados em articulação com o BNDES, com foco na criação de uma linha de financiamento específica para obras de reaprumo.
O modelo prevê o município como terceiro garantidor, oferecendo segurança institucional para viabilizar o acesso ao crédito pelos moradores. Levantamentos indicam que 319 edifícios apresentam algum grau de inclinação na cidade. Embora não haja risco imediato, a ausência de garantias quanto ao comportamento estrutural no longo prazo sustenta a necessidade de intervenção.
Experiências anteriores, como a do edifício Núncio Malzoni, confirmam a viabilidade técnica do reaprumo com uso de macacos hidráulicos, reequilíbrio da estrutura e execução de nova fundação. Subsolo da orla A origem do fenômeno está diretamente ligada ao subsolo da orla santista, com camada superficial de areia e presença de argila marinha de alta compressibilidade em profundidade.
Associadas a métodos construtivos utilizados entre as décadas de 50 e 80, essas condições favoreceram recalques diferenciais, ocorrência também registrada em áreas litorâneas do Nordeste.
Em João Pessoa
O caso do Residencial Onassis, na esquina das Ruas Monteiro Lobato e José Augusto Trindade, no bairro de Tambaú, consolidou um precedente técnico relevante. Após diagnóstico de recalque diferencial, a construtora responsável executou reforço de fundações com base em laudos especializados, garantindo a estabilidade da edificação. Os dois contextos reforçam a centralidade do estudo geotécnico, da escolha adequada de fundações e da supervisão contínua em projetos situados em áreas costeiras.
Cândido Nóbrega