Ambulatório funciona desde 2008 e foi reconhecido como Centro de Referência na Paraíba
O Hospital Universitário Lauro Wanderley (HULW), da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e vinculado à HU Brasil, atende aproximadamente 2 mil pacientes com psoríase e desenvolve ações de assistência, pesquisa e educação em saúde voltadas às pessoas que convivem com a doença.
No dia 29 de outubro, o serviço de Dermatologia, em parceria com o Programa de Extensão de Psoríase e Urticária, realizou uma ação de conscientização no hospital, com a participação de estudantes de diferentes cursos da área da saúde e residentes de Dermatologia. A atividade ocorreu no hall dos elevadores, área de grande circulação de pessoas, e teve como objetivo combater a desinformação e o preconceito, além de incentivar o diagnóstico precoce e o acompanhamento médico adequado.
A psoríase é uma doença inflamatória crônica, que acomete principalmente a pele, mas também pode apresentar manifestações em outros órgãos e sistemas. Como explica a dermatologista do HULW-UFPB/HU Brasil, Esther Bastos, “a psoríase não é apenas uma doença de pele, mas uma condição sistêmica, relacionada a alterações do sistema imunológico e a uma predisposição genética, que pode ser desencadeada ou agravada por fatores ambientais”.
Doença vai além das manifestações na pele
A manifestação mais conhecida da psoríase é o aparecimento de placas avermelhadas, bem delimitadas e recobertas por escamas esbranquiçadas, que podem provocar coceira, ardor e, em alguns casos, dor. As lesões aparecem frequentemente nos cotovelos, joelhos, couro cabeludo e região lombar, mas podem atingir qualquer parte do corpo. A doença também pode comprometer as unhas e as articulações, caracterizando a artrite psoriásica.
Além dos sintomas físicos, a condição pode afetar significativamente a qualidade de vida, com repercussões na saúde emocional e nas relações sociais e profissionais. Também pode estar associada à ansiedade, depressão e outras comorbidades, como obesidade, diabetes e doenças cardiovasculares.
“Além do desconforto físico, muitos pacientes enfrentam constrangimento, preconceito, dificuldades nos relacionamentos, na vida profissional e social. Por isso, precisamos compreender que cuidar da psoríase significa cuidar da pessoa como um todo, e não apenas das lesões que aparecem na pele”, pondera Esther.
Psoríase não é contagiosa
Um dos principais desafios enfrentados pelas pessoas com psoríase é o preconceito associado à aparência das lesões. A desinformação leva muitos pacientes a esconderem a pele, evitarem ambientes como piscinas, praias e academias e até enfrentarem situações de discriminação no trabalho e nas relações pessoais.
Segundo Esther Bastos, é fundamental esclarecer que a doença não é transmissível e não tem relação com falta de higiene. “A psoríase não é transmissível! Não se pega psoríase pelo contato físico, pelo abraço, pelo aperto de mão, pelo compartilhamento de objetos, roupas, toalhas ou pelo convívio social”.
A especialista também alerta para outros equívocos sobre a condição. “A psoríase é uma doença inflamatória imunomediada, que envolve predisposição genética e fatores ambientais. Também é importante esclarecer que a psoríase não é simplesmente uma alergia ou uma infecção de pele. É uma doença crônica, que pode apresentar períodos de melhora e piora, e que exige acompanhamento médico”, pondera Esther.
Diagnóstico precoce amplia possibilidades de tratamento
Identificar a doença precocemente é importante para evitar sua progressão, reduzir os impactos físicos e emocionais e reconhecer possíveis manifestações associadas, especialmente a artrite psoriásica, que pode comprometer as articulações e provocar danos irreversíveis quando não tratada adequadamente.
Atualmente, existem diferentes possibilidades terapêuticas, indicadas conforme a gravidade da doença, a extensão e a localização das lesões, as condições clínicas e as necessidades de cada paciente. Entre elas estão tratamentos tópicos, fototerapia, medicamentos sistêmicos convencionais, terapias imunobiológicas e novas opções de tratamentos orais direcionados, como os inibidores de TYK2.
De acordo com Esther Bastos, os avanços terapêuticos permitem um controle mais efetivo da doença e melhores resultados para os pacientes. “Hoje em dia existem condições de proporcionar um controle muito mais efetivo da psoríase, inclusive com o clareamento completo ou quase completo da pele em muitos pacientes. O objetivo não é apenas melhorar as lesões, mas proporcionar qualidade de vida, prevenir complicações e permitir que essas pessoas vivam plenamente”.
No Brasil, as decisões terapêuticas seguem o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas do Ministério da Saúde e o Consenso Brasileiro de Psoríase da Sociedade Brasileira de Dermatologia.
Hospital é referência na Paraíba desde 2012
A trajetória do HULW-UFPB no atendimento especializado à psoríase começou em junho de 2008, quando foi criado um ambulatório vinculado às atividades de ensino da graduação em Medicina. O crescimento da demanda e a complexidade dos casos levaram à estruturação de um serviço especializado.
“No entanto, a grande demanda de pacientes e a complexidade de suas necessidades nos mostraram que era preciso construir um serviço que fosse além da assistência dermatológica convencional”, relembra Esther.
Em 2010, o ambulatório passou a ser oficialmente especializado em Clínica e Pesquisa em Psoríase. Dois anos depois, em 2012, o hospital foi reconhecido como Centro de Referência em Pesquisa, Apoio e Tratamento da Psoríase do Estado da Paraíba, por meio da Portaria nº 515/GS, da Secretaria de Estado da Saúde.
“Atualmente, temos aproximadamente 2 mil pacientes ativos em acompanhamento, com atendimento ambulatorial às terças e quintas-feiras, no período da manhã. Nosso grande diferencial é a integração entre assistência, ensino, pesquisa e extensão. Não nos limitamos a tratar as manifestações cutâneas. Buscamos oferecer um atendimento humanizado, individualizado e integral, considerando as manifestações articulares, as comorbidades, a saúde emocional e os impactos sociais da doença”, detalha Esther.
Projetos fortalecem acolhimento e participação dos pacientes
Ao longo de 18 anos, o ambulatório também desenvolveu projetos de pesquisa, iniciação científica, trabalhos de conclusão de curso, pesquisas na pós-graduação e atividades de extensão, além de parcerias multiprofissionais voltadas à educação em saúde e ao acolhimento dos pacientes.
Entre as iniciativas, a dermatologista destaca o projeto “Café da manhã com prosa”, que promoveu momentos de troca de experiências entre pacientes, docentes e estudantes. A experiência também contribuiu para a elaboração, em 2025, do livro “Psoríase além da pele: o que eu preciso saber”, produzido em linguagem acessível e com a colaboração de diferentes áreas do conhecimento.
Outro resultado foi a mobilização que contribuiu para a criação da Associação dos Amigos e Portadores de Psoríase da Paraíba, fortalecendo a participação dos pacientes na defesa de seus direitos.
“Por isso, considero que as campanhas de conscientização têm um papel fundamental. Elas ajudam a combater o preconceito, disseminar informações corretas, estimular o diagnóstico precoce e aproximar a população dos serviços de saúde”, argumenta.