“A norma chegou antes da preparação técnica mínima do setor, o que compromete sua efetividade e amplia o risco de cumprimento apenas formal”, afirmou o engenheiro e advogado Edivaldo Nunes.
Ele defende nova prorrogação da vigência da NR-1 (estabelece as diretrizes gerais de segurança e saúde no trabalho no Brasil, definindo direitos, deveres e o gerenciamento de riscos ocupacionais para todas as empresas com empregados contratados via CLT), que terá vigência a partir do próximo dia 15 de maio, por entender que empresas paraibanas ainda não conseguem aplicar, de forma consistente, as exigências sobre saúde mental e fatores de risco psicossociais.
Problema não é homogêneo
Edvaldo descreve três níveis de construtoras: grandes empresas com atuação nacional já tratam segurança como parte estruturante do custo, enquanto empresas menores ainda classificam a área como despesa e reduzem investimentos.
Nível 1, aquela construtora que tem aquele “prediozinho”, na periferia de João Pessoa; Nível 2, empresas locais, mas com uma visão, uma amplitude mais elevada, com prédios interessantes, com edificações interessantes e Nível 3, aquelas construtoras que têm uma amplitude em nível nacional. A seu ver, essa hierarquia de amplitude de negócios também se reflete na visão de segurança do trabalho. “É uma deficiência de gestão. Quem paga é o consumidor, mas há resistência em assumir isso”, afirma.
Assessorias técnicas de fachada
Ele também critica a atuação de algumas empresas que prestam assessorias técnicas sobre segurança do trabalho, sem cumprimento rigoroso de carga horária e cobram valores bem abaixo do praticado, o que “prostitui” o mercado e não entrega aos trabalhadores o devido conteúdo.
Integração entre BIM e PGR
Na parte técnica, o especialista aponta a integração entre Building Information Modeling e o Programa de Gerenciamento de Riscos PGR como medida capaz de reduzir acidentes ainda na fase de projeto. A ferramenta permite identificar falhas antes da execução da obra, com impacto direto na segurança e no custo. Apesar disso, a adoção segue limitada em parte do setor, mantendo práticas reativas em vez de preventivas.
“Não houve amadurecimento suficiente e o Brasil não está preparado”, concluiu Edivaldo, que é Mestre em engenharia de produção, engenheiro de segurança do trabalho, advogado e conselheiro do Crea-PB e também atua como autor de obras técnicas voltadas à gestão de riscos.
O engenheiro de Saúde e Segurança do Trabalho do Sinduscon-JP, Daniel Cordeiro, destacou que o evento “Segurança do trabalho: consequências de sua falta e formas de implementação”, teve como objetivo capacitar profissionais para disseminarem informações de segurança diretamente aos trabalhadores, reunindo especialistas qualificados e abordando também aspectos jurídicos da área.
Segundo ele, os profissionais de segurança do trabalho precisam dominar diferentes conhecimentos — médicos, psicológicos e jurídicos — para manter uma comunicação mais adequada com trabalhadores e clientes. Daniel também explicou que ações como essa são realizadas regularmente, especialmente durante o Abril Verde, período que não representa celebração, mas sim um momento de reflexão sobre acidentes e doenças ocupacionais, utilizando palestras e debates para discutir temas ligados à prevenção e à conscientização.
Cândido Nóbrega