A profissão de corretor de imóveis costuma ser associada à realização do sonho da casa própria, mas na segunda maior cidade da Paraíba se tornou pesadelo grande para várias pessoas e alvo de ações judiciais que apuram a prática de crimes de estelionato e de lesão corporal de natureza grave, que têm penas previstas no Código Penal, de 1 a 5 anos de reclusão.
O primeiro caso foi registrado na esfera policial há mais de um ano e corretores de imóveis alertaram em redes sociais sobre condutas do denunciado, que possui inscrição ativa no conselho responsável pelo registro e fiscalização da profissão de corretor de imóveis.
Um motoboy de 26 anos afirmou ter sido levado pelo corretor Anderson Santos Brito, conhecido como “Feroz”, a transferir mais de R$ 17 mil durante negociação de compra de imóvel no bairro Serrotão, solicitando valores via Pix sob justificativa de entrada e taxas, garantindo que o montante seria repassado ao proprietário do imóvel. O pagamento ocorreu em 10 transferências realizadas entre setembro e dezembro de 2025.
A “ficha só caiu” para o comprador quando o proprietário do imóvel entrou em contato e afirmou não ter recebido qualquer valor. Para evitar a perda do imóvel já negociado, o motoboy disse ter sido obrigado a pagar novamente a quantia integral diretamente ao proprietário. O corretor então teria prometido devolução dos valores, mas deixou de responder mensagens e ligações.
Informações falsas e recusa na devolução dos valores
O segundo caso envolve um casal — ela cuidadora e ele motoboy — que afirma ter transferido R$ 8 mil em negociação de terreno mais construção de residência por meio do escritório do corretor, localizado no bairro Serrotão, sem assinatura de contrato e sem formalização do negócio. As vítimas relatam que sucessivos pedidos de devolução foram ignorados, além de encontros marcados no escritório que não eram cumpridos pelo corretor, mesmo com deslocamento dos interessados ao local.
Elas informaram que possuem comprovantes de todas as transferências via PIX, bem como registros de conversas, mensagens, áudios e tentativas de reunião, que comprovam os pagamentos realizados, as informações falsas prestadas, o descumprimento do acordo e a recusa na devolução dos valores.
Ministério Pública denuncia
O MPPB ofereceu junto à 2ª Vara Criminal da Comarca contra o mesmo corretor por lesão corporal, após agressão contra um mecânico de 60 anos em Campina Grande, após divergência sobre comissão já paga referente à metade do primeiro aluguel de um imóvel comercial, e exigência de mais uma quantia.
A vítima relatou ter sido agredida com golpes de capacete e madeira dentro do imóvel localizado na Avenida Marechal Floriano Peixoto, que resultou em fratura no cotovelo e incapacidade para atividades habituais por mais de 30 dias, conforme laudo pericial. O promotor de Justiça Glauco Coutinho Nóbrega requereu a condenação de Anderson, nos termos do art. 129, § 1º, I, do CP.
Processos n. 0813579-77.2026.8.15.0001, 0813569-33.2026.8.15.0001 e 0830321-17.2025.8.15.0001