Informações da própria Cagepa apontam que a rede de esgoto da orla de João Pessoa apresentava limitações antes da implantação da Estação Elevatória de Esgoto, na Av. Maria Rosa, no bairro de Manaíra, em João Pessoa. As declarações do diretor de operação e manutenção da companhia, Thiago Pessoa, passaram a integrar a investigação do MPF sobre a perda de balneabilidade das praias e rios da Capital.
Novo arranjo do transporte
Segundo ele, a empresa investiu mais de R$ 100 milhões, em parceria com o Banco Mundial, na construção da nova Elevatória para alterar o sistema de transporte de esgoto da região e o novo arranjo passou a utilizar uma tubulação implantada no Retão de Manaíra por método não destrutivo, substituindo o antigo modelo de bombeamento e aumentando a eficiência operacional da rede “O que existia era a necessidade de a gente fazer um novo arranjo do transporte, e a gente recentemente fez”, afirmou.
Porém, na engenharia sanitária, a principal limitação de um sistema nem sempre está nas tubulações que coletam o esgoto das residências. Em muitos casos, o ponto crítico é a estação elevatória, responsável por bombear o fluxo até a unidade de tratamento. Quando sua capacidade se aproxima do limite, aumentam os riscos de sobrecarga, vazamentos e extravasamentos, principalmente durante períodos de maior vazão.
No limite
A implantação da Elevatória, portanto, não indica apenas uma preparação para o crescimento futuro da cidade. A redistribuição do fluxo e a redução da pressão sobre a estrutura anterior ampliaram a capacidade operacional do sistema, em uma intervenção que costuma ocorrer quando equipamentos estratégicos passam a limitar o funcionamento da rede.
A Cagepa atribui os problemas da orla principalmente às ligações clandestinas de águas pluviais e ao descarte irregular de lixo. Embora esses fatores agravem o funcionamento do sistema, pesquisas da Universidade Federal da Paraíba também apontam a entrada significativa de água de chuva na rede de esgoto, aumentando a pressão sobre elevatórias e coletores.
Há 30 dias o TJPB manteve decisão da 4ª Vara da Fazenda Pública da Capital que proibiu novas construções de grande porte e novas ligações de esgoto na orla de João Pessoa. A medida integra um conjunto de ações emergenciais para interromper o lançamento de esgoto não tratado nas praias urbanas de Cabo Branco, Tambaú, Manaíra e Bessa, além de conter extravasamentos e ligações clandestinas.
A engenharia corrige causas; remendos apenas adiam as consequências
No Cabo Branco, a companhia executa a substituição de trechos da rede por tubulações de maior diâmetro para absorver o aumento da vazão provocado pelo intenso adensamento vertical e por novos empreendimentos de grande porte sem a correspondente atualização da infraestrutura sanitária. Indagado por mim sobre esses diâmetros e estrangulamento, ele não soube responder.
As intervenções aliviam pontos específicos, mas não eliminam limitações estruturais associadas aos extravasamentos de esgotos na Avenida Cabo Branco e ruas adjacentes. O tema foi debatido em audiência pública do Ministério Público Federal na Paraíba, na qual foi confirmada perícia da Polícia Federal nas galerias pluviais e saídas de esgoto para subsidiar a análise sobre as condições da infraestrutura da Cagepa.
Cândido Nóbrega