Skip to content Skip to footer

Desconfiança atinge nível crítico no mercado imobiliário paraibano

Desconfiança atinge nível crítico no mercado imobiliário paraibano

“Na compra de um imóvel tem que ter muito cuidado, converse realmente com o dono da casa, identifique, procure ver no cartório se o imóvel tem algum impedimento ou se você não tiver esses conhecimentos contrate um advogado de confiança”, alertou o delegado João Joaldo Ferreira, da Delegacia de Defraudações e Falsificações de Campina Grande/PB.

A fala da qualificada autoridade policial reverberou a desconfiança e medo de golpes que assolam o mercado imobiliário da Paraíba quanto a falsos corretores de imóveis (bicudos) e a maus profissionais, e gera descrédito e desvalorização de toda uma categoria, jogada na mesma vala comum. Na “Rainha da Borborema”, o conselho que regulamenta a profissão no estado é representado pela 1ª vice-presidente, delegado do órgão e conselheiros.

Em mais uma operação (Arremate) exitosa da Especializada, foram cumpridos sexta-feira cinco mandados de prisão nas cidades de ItapororocaBayeux e Campina Grande e apreendidos aparelhos eletrônicos. O esquema de fraude na venda de imóveis teria causado prejuízo superior a R$ 1,2 milhão a mais de 20 vítimas.

O grupo de falsos corretores que atuava desde 2020 no mercado imobiliário fraudulento, selecionava imóveis em processo de leilão, solicitava certidões de inteiro teor (documento que reúne informações do imóvel, mas não comprova a propriedade), e utilizava os papéis para dar aparência de legalidade às negociações fraudulentas, teve R$ 700 mil bloqueados pela justiça para ressarcimento parcial das vítimas. Segundo João Joaldo, no ano passado, um corretor de imóveis de Campina Grande também foi preso.

Operação “Dirty Property” e imobiliária fictícia

Na Capital, prisões pela polícia civil de corretores fictícios se tornaram corriqueiras, e na região do Brejo, em 2025, uma mulher foi presa em flagrante delito por estelionato pelo delegado da Comarca de Solânea, Pablo Everton Macedo, pelo exercício ilegal da profissão sobretudo na cidade de Bananeiras.

Em julho, na operação Dirty Property da Polícia Federal em Cajazeiras, foram sequestrados R$ 30 milhões, veículos (inclusive em oficinas) e três empresas destinadas à lavagem de dinheiro tiveram a atividade econômica suspensa no esquema onde uma imobiliária fictícia teria sido constituída. Em 2025, o setor de fiscalização do Creci-PB para todo o estado foi composto só pelo coordenador e um agente.

Transparência sobre gastos com fiscalização e sanções aplicadas

Decisão Normativa nº 216/2025 do TCE determina que os Conselhos de Classe disponibilizem em seus sites, informações claras – vedados obstáculos como identificação ou pedido via Lei de Acesso à Informação e limitações de acesso – quanto ao número total de fiscalizações realizadas, indicando o quantitativo daquelas decorrentes de planos de fiscalização e de denúncias e valor efetivamente gasto com atividades de fiscalização do exercício profissional e resultados obtidos.

E ainda o número total de profissionais fiscalizados, indicando o quantitativo de pessoas físicas e pessoas jurídicas, se for o caso; número total de autos de infração; número total de denúncias (ou notificações semelhantes) recebidas, número de processos instaurados e julgados, consolidando as sanções aplicadas (censuras, advertências, multas, suspensões e cancelamentos de registro, entre outras), e indicadores, estatísticas e resultados das ações e dos projetos.

As declarações do delegado João Joaldo Ferreira foram dadas sexta-feira ao repórter Renato Diniz durante o programa Comando Policial apresentado por José Cláudio na TV Borborema afiliada do SBT em Campina Grande.

Cândido Nóbrega

Mostrar comentáriosFechar comentários

Deixe seu comentário

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.