As projeções climáticas para 2026 indicam um cenário de atenção para o Nordeste brasileiro, com tendência de chuvas abaixo da média influenciadas pelo avanço do fenômeno El Niño, principalmente nos meses de junho, julho e agosto. A análise foi apresentada pelo Dr. em Meteorologia Alexandre Magno durante explanação nesta terça-feira (14), em evento técnico realizado na sede da Associação dos Plantadores de Cana da Paraíba (Asplan), em João Pessoa.
O meteorologista destacou o aquecimento progressivo das águas do Oceano Pacifico como fator determinante para a irregularidade das precipitações ao longo do ano. De acordo com ele, embora o El Niño ainda não esteja oficialmente configurado em sua totalidade, os sinais já são evidentes. O aquecimento das águas na região próxima à costa oeste da América do Sul, tem impacto direto na redução das chuvas, especialmente no litoral nordestino. “Quando essa área aquece, historicamente há diminuição das precipitações na faixa litorânea”, explicou.
Os dados mais recentes mostram que a temperatura da superfície do mar já ultrapassa os padrões de neutralidade, com tendência de intensificação nas próximas semanas. Modelos climáticos indicam de 60% a 70% de probabilidade de consolidação de um El Niño entre os meses de junho e agosto, período considerado crítico para a quadra chuvosa em parte da região.
Outro ponto destacado é o papel do Oceano Atlântico, que atualmente apresenta temperaturas elevadas. Esse aquecimento pode amenizar parcialmente os efeitos do El Niño, contribuindo para a ocorrência de chuvas pontuais. No entanto, segundo o meteorologista, esse fator não deve ser suficiente para reverter o cenário de irregularidade climática. “O Atlântico aquecido ajuda a quebrar bloqueios atmosféricos, mas não garante volumes significativos de chuva”, afirmou.
A análise de diferentes modelos internacionais — incluindo centros meteorológicos dos Estados Unidos, Europa e Alemanha — converge para um mesmo diagnóstico: à medida que o fenômeno se intensifica, aumenta a probabilidade de precipitações abaixo da média. O nível de confiabilidade dessas projeções varia entre 60% e 70%.
Comparações com eventos históricos, como os registrados entre 1997 e 1998, reforçam a preocupação. Naquele período, o forte El Niño resultou em uma sequência de meses com baixos índices pluviométricos. Para 2026, embora o cenário apresente algumas diferenças — como o Atlântico mais aquecido —, os padrões observados até agora indicam comportamento semelhante, com tendência de queda nas chuvas ao longo do ano. Diante desse contexto, a recomendação do especialista é de planejamento, especialmente para o setor produtivo. A orientação é otimizar o uso dos recursos hídricos e adotar estratégias de armazenamento de água, considerando a possibilidade de veranicos mais prolongados e maior irregularidade na distribuição das chuvas.
“O fenômeno é de escala global e inevitável, mas os impactos locais podem ser gerenciados com informação e planejamento nas propriedades”, concluiu o meteorologista.