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Golpes imobiliários chegam aos condomínios de alto padrão em João Pessoa

Golpes imobiliários chegam aos condomínios de alto padrão em João Pessoa

O proprietário do lote, que é operador do direito, igualmente desconfiou dessa postura e decidiu ele mesmo preparar o contrato enquanto as certidões eram solicitadas ao Cartório de Registro de Imóveis. Foi nesse intervalo que o “comprador” pediu autorização para entrar no condomínio e visitar o terreno. “Eu quero que você vá lá, me libere para entrar no condomínio, eu vou lá amanhã às duas da tarde”, teria dito. A visita parecia confirmar a negociação, até que outros corretores chegaram ao local acompanhando clientes reais.

Modus Operandi

A situação mudou quando os profissionais perceberam que o homem que supostamente havia comprado o terreno já estaria oferecendo o imóvel a terceiros. Não havia pagamento realizado, nem aquisição formalizada e a documentação ainda estava sendo emitida. Mesmo assim, fotos feitas pela própria corretora durante a negociação apareceram em anúncios do imóvel em plataformas digitais, com preço inferior ao praticado no mercado.

O modus operandi consiste em obter documentos e imagens de um imóvel real, apresentá-lo como adquirido e oferecê-lo rapidamente a outro comprador, criando uma oportunidade aparentemente vantajosa. “Quem vai cair no golpe é esse outro cliente que vai querer comprar porque está muito barato e vai dar uma entrada de R$ 100 mil, R$ 200 mil, R$ 300 mil”, afirmou.

Outros casos na delegacia policial

A corretora disse ter registrado Boletim de Ocorrência a pedido do proprietário e afirmou que outros colegas também procuraram a especializada de Defraudações de João Pessoa. Casos semelhantes a estes aconteceram inclusive no condomínio das Américas, no mesmo bairro, e podem ter provocado prejuízos de até R$ 1,5 milhão.

Para ela a burocracia normal da negociação acabou impedindo que o caso avançasse, pois a emissão de certidões e a formalização contratual deram tempo para que o crime fosse percebido antes de qualquer pagamento. Ela também chamou atenção para o risco de as plataformas de anúncios e as parcerias entre corretores serem utilizadas por fraudadores para alcançar novos compradores.

“Corda de caranguejo” e interesse só na comissão

“É muito fácil alguém pesquisar no OLX, na plataforma do Viva Real, ver que tem um terreno abaixo do mercado, entrar em contato com o número de telefone que está lá, dizer que tem um cliente e até o corretor também ser vítima, porque mutas vezes está preocupado só em comissão, no número da venda e não toma tanto cuidado”, afirmou.

E concluiu: “Eu tenho um produto, um corretor que me conhece, conhece outro corretor que tem o cliente e ele faz a ponte e aí ele não quer perder. Aí já é costume, o povo fala: você faz a venda desse teu produto numa parceria 40%-40%-20%. Quem tem o produto ganha 40%. Quem tem o cliente ganha 40% e quem está fazendo ela entre os dois ganha 20%. Aí as vezes fica brincando, diz que é uma coisa de caranguejo, que é muita gente numa venda”.

Cândido Nóbrega

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