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Hotel Tambaú se deteriora e aumenta riscos para quem circula na área

Hotel Tambaú se deteriora e aumenta riscos para quem circula na área

O primeiro hotel cinco estrelas da Paraíba completou 55 anos sexta-feira (11) com uma das imagens mais conhecidas do turismo paraibano e também uma construção cercada de controvérsias por ocupar uma área privilegiada da orla de João Pessoa, ambientalmente protegida à beira-mar.

A solução estrutural é singular, em concreto armado moldado in loco, com sistema portante viga–pilar–laje disposto radialmente e em posição inclinada, associado a empenas e painéis de concreto armado. A concepção inclui ainda uma configuração de laje dupla, característica do projeto.

Continuam a despertar a atenção os elementos horizontais incorporados às grandes empenas inclinadas, além da intensa deterioração do concreto. Há pontos com armaduras expostas e sinais evidentes de corrosão, resultado de décadas de exposição a um ambiente marinho extremamente agressivo.

O que se vê é uma estrutura submetida à ação permanente da maresia, da umidade, dos ventos e do tempo, somada ao longo período de paralisação do empreendimento. Em vários pontos, elementos de concreto já se desprenderam e outros apresentam deterioração que merece avaliação técnica especializada e fiscalização pela Defesa Civil e pelo Crea-PB.

A situação preocupa banhistas, pescadores que procuram abrigo nas proximidades da areia e pessoas que caminham pela área, além de agravar o desgaste de uma estrutura com 38 mil metros quadrados e 173 quartos.

Histórico de frustrações

O fechamento veio em 2020, após anos de dificuldades da Varig, então ligada à rede Tropical Hotéis, responsável pelo empreendimento, para pagamento de dívidas. No ano seguinte, um leilão por R$ 40,6 milhões deu a posse do imóvel ao grupo Occean (anterior AG Hotéis e Turismo S/A), do grupo potiguar comandado pelo empresário Ruy Gaspar.

A Ampar Hotelaria, que afirma ter exercido o controle, a administração e a manutenção do hotel nos últimos anos, recorreu da decisão e a disputa continua no Superior Tribunal de Justiça.

Em 2025, o ministro do Turismo, Celso Sabino, visitou o Hotel e garantiu recursos do Fundo Geral do Turismo, condicionados à solução judicial. Ruy Gaspar anunciou a intenção de reabrir o hotel até o fim de 2026, com investimento superior a R$ 100 milhões e expectativa de participação do poder público. O presidente da Câmara de João Pessoa apresentou um projeto de indicação para que a prefeitura promovesse a desapropriação do Hotel Tambaú, o que não prosperou.

Até hoje nada disso aconteceu.

Cândido Nóbrega

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