Durante encontro ontem na Churrascaria Picanha de Ouro, em João Pessoa, ouvi do juiz Antônio Rudimacy Firmino de Sousa uma declaração que deve movimentar a sucessão municipal de Bayeux. Com o nome lembrado por setores da imprensa como possível candidato a prefeito, ele afirmou que, se aparecer nas pesquisas para a próxima eleição, não terá dúvida em disputar a Prefeitura, mesmo contra a vontade da própria família.
“Se na próxima eleição eu constar nas pesquisas, não tenho a menor dúvida. Mesmo contra a minha família, que não cogita isso, é contra, eu ingresso”, disse Rudimacy, titular da 1ª Vara Cível e da Fazenda Pública da comarca integrada de Bayeux e Santa Rita. Ele acrescentou que, caso seu nome seja ventilado, poderá se aposentar para entrar na disputa, pois já conta com idade e tempo de serviço.
E citou o ex-juiz federal Sérgio Moro como exemplo de magistrado que ingressou na vida pública: “Eu tenho pena, eu queria votar no Paraná para votar nele. A política é para homens íntegros, honestos, nossa política está carente disso”.
Lembrei a Rudimacy a experiência eleitoral bem diferente de seu colega na Paraíba, Ramonilson Alves. Aposentado do TJPB em março de 2020, ele disputou a Prefeitura de Patos no mesmo ano pelo Patriota, quando obteve 20.280 votos, 41,83% dos válidos, e novamente em 2024, pela federação PSDB/Cidadania, alcançando 11.371 votos, 22,30%. Terminou em segundo lugar nas duas eleições.
Oligarquias poderosas difíceis de enfrentar
“Ramonilson é um grande nome na política de Patos. Acontece que ele enfrenta uma oligarquia tão poderosa que tem hoje como integrante o presidente do Congresso Nacional”, declarou, (referindo-se ao deputado federal Hugo Motta e ao seu pai ex-prefeito de Patos e atual candidato a senador pelo Partido Republicanos da base governista que tem a senadora Daniella Ribeiro (PP) como suplente).
Para Rudimacy é difícil derrubar essas oligarquias: “Não posso deixar de registrar que alguns deles já foram presos, processados, mas o povo ainda vota no clientelismo, na política feita na época de Dom Pedro. O que nós temos que resgatar é essa boa política”, acrescentou.
DNA da política
Perguntado se a política corre nas suas veias, respondeu que seu pai foi vereador no município de Serra Grande, no interior da Paraíba e pertenceu ao histórico MDB do ex-governador e ex-senador Antônio Mariz. “Era um exemplo, só pertenceu a esse partido, nunca se vendeu em política, sempre seguiu até derrubar a ditadura”, concluiu emocionado e orgulhoso.
Cândido Nóbrega