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Promotor feito refém durante rebelião liderada por Leonardo Pareja em presídio lembra tensão após 30 anos

Promotor feito refém durante rebelião liderada por Leonardo Pareja em presídio lembra tensão após 30 anos

Sete dias sob a mira de armas, convivendo com homens que o sistema reduzia à condição de “população carcerária” e tomado pela certeza de que não sairia vivo. O promotor de Justiça Haroldo Caetano revisita a rebelião da Cepaigo, ocorrida no fim de março de 1996, em Goiás, em um livro de memórias e reflexão sobre um dos episódios mais traumáticos do sistema prisional brasileiro.

A obra relata o cotidiano dos reféns, entre eles magistrados, advogados, repórter e autoridades, que acompanhavam pela televisão a repercussão nacional da crise instalada dentro da maior penitenciária goiana, então marcada por superlotação e denúncias de violência contra presos.

O livro revive episódios que atravessaram o imaginário do true crime nacional, como a cena em que o assaltante-celebridade Leonardo Pareja cantou a música “Admirável Gado Novo”, do paraibano Zé Ramalho sobre a caixa d’água do presídio antes de transformar a fuga em cortejo armado levando como refém Aldo Sabino, filho do então presidente do Tribunal de Justiça de Goiás, desembargador Homero Sabino.

Direito à reabilitação

Pouco depois da rebelião, em entrevista exclusiva que me concedeu para uma edição especial dominical do Jornal Correio da Paraíba, de maior circulação no estado, Homero afirmou que os rebelados eram produto do tratamento desumano imposto no cárcere e declarou: “Estive sob a mira de três revólveres, dois sobre minha barriga e um sobre minha fronte. Se eles fossem pessoas sem recuperação, eles não teriam me matado? Eu duvido que Pareja se reabilite, mas ele tem todo o direito de se reabilitar”.

Disse ainda que faria tudo para evitar a morte dos rebelados no sistema prisional. Não houve tempo. Três meses depois, Pareja foi assassinado com tiros de pistola calibre .45 dentro da própria Cepaigo. Haroldo Caetano seguiu atuando na execução penal e no debate sobre o sistema carcerário brasileiro, transformando a experiência vivida no presídio em reflexão permanente sobre violência, dignidade humana e falência do cárcere.

O livro foi recém-publicado pela Editora Jandaíra e é a dica de leitura que deixo para este domingo.

Cândido Nóbrega

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