A capital pernambucana reúne importantes iniciativas de transformação ambiental e infraestrutura urbana. Reciclagem, energia renovável, modernização da limpeza urbana, macrodrenagem e contenção de encostas integram uma agenda que tem como meta alcançar a neutralidade de carbono até 2050
Engenheiro civil, de 31 anos, Victor Marques assumiu a Prefeitura no último mês de abril, após a saída de João Campos para disputar o governo de Pernambuco. Os projetos, entretanto, têm diferentes origens e refletem políticas desenvolvidas ao longo de sucessivas administrações.
Uma das principais iniciativas é a parceria com a Fundação Ellen MacArthur e a Clean Rivers, que poderá mobilizar mais de US$ 50 milhões, aproximadamente R$ 300 milhões, nos próximos cinco a sete anos. Escolhido como cidade pioneira de um programa internacional de economia circular, Recife pretende combater a poluição plástica nos rios, ampliar a coleta seletiva e fortalecer cooperativas e catadores. A iniciativa reúne empresas como Mars, Nestlé, PepsiCo e Unilever, com previsão de início dos primeiros projetos em 2027.
A cidade já conta com 17 Ecoestações, mais de 150 Pontos de Entrega Voluntária e cerca de cinco mil pontos cadastrados na coleta seletiva porta a porta, que alcança aproximadamente 70% do território. São 11 cooperativas parceiras. O programa Recife Limpa nas Escolas e Universidades também já encaminhou quase 12 toneladas de recicláveis para essas organizações.
Energia renovável
Na área de energia, a Prefeitura realizou licitação para contratar energia renovável destinada aos prédios públicos de baixa tensão. Pelo modelo de geração distribuída, usinas fotovoltaicas produzem créditos para compensar o consumo municipal. A economia estimada supera R$ 8,7 milhões por ano, com redução prevista de mil toneladas de CO₂.
A adaptação climática também exige obras estruturais. A Ação Inverno 2026 reúne R$ 381,8 milhões em investimentos em drenagem e contenção de encostas. Nos últimos cinco anos, foram concluídas 151 obras de proteção definitiva, com R$ 260,5 milhões investidos e benefício para mais de 18 mil pessoas. Entre as intervenções atuais estão as obras dos canais da Mauricéia e do Sanbra, orçadas em R$ 64 milhões, que incluem melhorias na drenagem e mais de 24 mil m² de parques lineares e espaços públicos.
Outra iniciativa é a proposta de PPP para a gestão integrada da limpeza urbana e dos resíduos sólidos, colocada em consulta pública no mês passado. O projeto prevê contrato de 30 anos, usinas de triagem, compostagem, beneficiamento de entulho e modernização da coleta. A meta é reduzir em 26,6% o volume destinado aos aterros até o 15º ano da concessão.
Ampliação das áreas verdes também integra agenda
Em agosto, foi entregue a primeira etapa do Parque da Resistência Leonardo Cisneiros, no Cais José Estelita, com cerca de 22 mil m², 255 árvores e espaços de lazer e convivência.
As iniciativas estão alinhadas ao Plano Local de Ação Climática, elaborado em 2020 com o ICLEI – Governos Locais pela Sustentabilidade, que estabelece a neutralidade das emissões de gases de efeito estufa até 2050, abrangendo mobilidade, saneamento, energia e resiliência.
Cândido Nóbrega